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Smart Cities13 de out. de 2026, 01:22

Gasolina cara faz 87% dos motoristas brasileiros considerar carro elétrico

Levantamento do Instituto Locomotiva mostra que economia no combustível é o maior atrativo para troca, mas preço de compra ainda trava a decisão de 8 em cada 10 motoristas.

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

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O motorista já fez a conta

Se o preço na bomba continua pesando no bolso, a conta do motorista brasileiro está mudando de lado. Uma pesquisa do Instituto Locomotiva, instituto de pesquisa brasileiro especializado em comportamento do consumidor, mostra que 87% dos motoristas entrevistados considerariam comprar um carro elétrico. O levantamento ouviu 1.300 motoristas em entrevistas digitais realizadas entre 1º e 10 de julho de 2026.

O motivo não é mistério: 78% dos interessados apontam o alívio no bolso com combustível como o principal atrativo da troca. Sustentabilidade (61%), tecnologia embarcada (56%) e conforto (51%) aparecem depois, mas é o preço do litro que empurra a decisão.

Foto: reprodução/olhardigital.com.br

A economia convence, o preço assusta

Aqui está o nó da história: 76% dos entrevistados acreditam que a economia no uso compensa o valor mais alto na hora de comprar. Os outros 24% não têm a mesma confiança — e não é difícil entender por quê, já que o carro elétrico ainda custa mais caro na saída da concessionária do que o carro a combustão equivalente.

O dado que resume o impasse é o seguinte: 84% dos motoristas disseram que teriam maior probabilidade de comprar um elétrico se os preços fossem menores. Ou seja, o desejo já existe. Falta o produto caber no orçamento.

Quem já tem, não volta atrás

Foto: reprodução/vrum.com.br

Um ponto que chama atenção é a experiência de quem já deu o passo. Entre os motoristas que conhecem alguém com carro elétrico — 69% do total —, 92% relatam ter ouvido avaliações positivas. E entre quem já roda com elétrico ou híbrido, 98% comprariam outro: 85% certamente, 13% provavelmente.

Se a experiência de uso convence tanto assim, a pergunta que fica para o poder público é outra: por que a infraestrutura de recarga ainda não acompanha esse apetite? A pesquisa não detalha a distribuição por cidade ou região do país, mas qualquer motorista que já tentou planejar uma viagem de carro elétrico fora dos grandes centros sabe que o mapa de eletropostos no Brasil ainda tem muitos vazios.

O que falta para destravar a troca

Para Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva, o caminho passa por dois pontos: "o próximo passo da eletrificação é aproximar o custo de compra da economia que o consumidor já percebe no uso, além de facilitar as opções de recarga".

Isso joga a bola para dois lados que ainda não se moveram no mesmo ritmo que o interesse do consumidor: a política de incentivo fiscal para baratear os modelos elétricos e o investimento — público e privado — em pontos de recarga fora dos eixos já consolidados. Enquanto isso não acontece, o motorista brasileiro segue fazendo a conta certa, só que sem conseguir fechá-la no final do mês.

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