
Gasolini AR1: o esportivo de menos de US$ 7 mil com motor de moto Honda
O Gasolini AR1 usa o motor bicilíndrico de uma Honda CBR500 para entregar um esportivo leve e barato de montar em casa, com uma versão elétrica já em desenvolvimento.
Por Bruno Vilela · Repórter de Gadgets
O anti-hypercar
Enquanto a indústria automotiva compete para ver quem coloca mais cavalos e mais tela num hypercar de sete dígitos, o britânico Robert Ely foi na direção oposta com o Gasolini AR1: um esportivo leve, simples e que custa menos de US$ 7 mil para quem monta o próprio kit em casa. A proposta não é bater recorde de velocidade, é devolver a sensação de dirigir algo pequeno, leve e direto — o tipo de carro que é divertido a 60 km/h, não só a 300.
Motor de moto, chassi artesanal
O coração do AR1 é o motor bicilíndrico em linha de uma Honda CBR500 de 2017, entregando 47 cv (35 kW) e 43 Nm de torque. Números modestos para os padrões automotivos, mas que fazem sentido quando o carro inteiro pesa menos de 454 kg — menos da metade de um hatch popular. O chassi é tubular, construído à mão, e aproveita peças de prateleira como rodas e pneus de um Ford Ka, o que ajuda a manter o custo baixo e a manutenção acessível. O consumo declarado gira em torno de 5,7 L/100 km, mais compatível com uma moto do que com um esportivo.
Quem quiser construir o próprio AR1 compra o manual completo de montagem, e-book e vídeos explicativos diretamente do site da Gasolini — um modelo de negócio mais parecido com kit car de garagem do que com fabricante tradicional.
Versão elétrica já está a caminho
Ely já trabalha no AR2, a variante elétrica do projeto, que deve usar um motor HyPer 9 e aproveitar células de bateria recicladas de um Jaguar I-PACE. A promessa é o dobro da potência e até quatro vezes mais torque que o AR1 a combustão — um salto e tanto para uma proposta que nasceu minimalista.
Vale o preço no Brasil?
O Gasolini não é vendido aqui, e provavelmente nunca será: kit cars de baixíssimo volume, montagem artesanal e homologação improvável esbarram direto na burocracia do Denatran e do Inmetro. Ainda assim, o exercício mental vale a pena. Importar as peças, pagar impostos e montar por conta própria dificilmente sairia pelos mesmos US$ 7 mil — no Brasil, essa conta facilmente dobraria ou triplicaria. Mas o espírito do projeto é o que interessa: prova de que motor pequeno, peso baixo e chassi honesto ainda entregam experiência de dirigir que nenhum SUV blindado de tecnologia consegue replicar, custando uma fração do preço.