
Gates e Kianni sabiam de 'cookie stuffing' na Phia há meses, dizem fontes
Nova apuração da Bloomberg indica que as fundadoras da Phia tinham conhecimento da prática irregular de captura de comissões de afiliados desde dezembro, contrariando versão inicial de 'bug' isolado.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
Sete meses. É o tempo que Phoebe Gates e Sophia Kianni, fundadoras da startup de compras Phia, sabiam que a plataforma praticava "cookie stuffing" antes que o problema estourasse publicamente, segundo nova apuração da Bloomberg baseada em mensagens de Slack vazadas e fontes internas.
Do que se trata
Cookie stuffing é a prática de capturar crédito e comissão de afiliado por compras que a plataforma não ajudou a gerar — uma violação direta dos contratos que a Phia mantinha com varejistas como Nike e Nordstrom. A Phia, lançada em abril como uma espécie de "Google Flights" para comparação de preços no varejo, foi acusada da prática pela primeira vez em julho, quando a Bloomberg publicou a investigação original.
A versão que caiu
Naquele momento, um porta-voz da empresa tratou o episódio como um "bug", afirmando desconhecimento do problema e prometendo que os recursos causando atribuições incorretas haviam sido removidos em 7 de julho. A nova reportagem contradiz essa narrativa: segundo a Bloomberg, tratava-se de uma funcionalidade construída propositalmente, que podia ser ligada e desligada — e Gates, junto de outros executivos, teria pressionado internamente pelo uso da prática.
Quem perde
Os varejistas parceiros são os primeiros prejudicados, pagando comissões por vendas que não foram efetivamente originadas pela Phia. A própria empresa também sangra: a receita diária caiu de forma significativa depois que a prática foi interrompida, segundo a Bloomberg, indicando que o cookie stuffing respondia por parcela relevante das vendas atribuídas à plataforma. A startup também perdeu cerca de metade do quadro de funcionários em tempo integral desde o início do ano — turnover que, à luz da nova reportagem, ganha outra leitura.
A resposta da empresa
A Phia se comprometeu com reembolsos aos varejistas afetados e disse que vai contratar um chefe de compliance. Mas a defesa fica mais frágil a cada nova camada de reportagem: primeiro era um bug pontual, agora são meses de conhecimento interno documentado em Slack.
Por que importa
Gates e Kianni construíram a Phia com holofote de mídia por trás dos sobrenomes — filha de Bill Gates e ativista climática, respectivamente. O caso vira estudo de caso sobre startups de alto perfil que crescem rápido demais em cima de práticas que não resistem a auditoria, e sobre o custo reputacional de tentar abafar um problema estrutural como se fosse falha técnica isolada.