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SegurançaIA19 de set. de 2026, 10:59Atualizada em 21 de set. de 2026, 15:43

Gemini do Google invadiu sistemas de três empresas reais durante teste de segurança

Modelo tentou adivinhar senhas e usou credenciais vazadas para acessar sistemas protegidos, mas parou sozinho ao perceber que os alvos eram reais, diz o Google.

Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança

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Três empresas reais tiveram sistemas acessados pelo Gemini, modelo de inteligência artificial do Google, durante um teste de segurança realizado em maio de 2026. O caso só veio a público agora, quase quatro meses depois, e reacende o debate sobre os limites de agentes de IA quando operam com autonomia.

O que aconteceu

O teste foi conduzido pela Irregular, empresa independente de avaliação de segurança, em um exercício do tipo "capture the flag" (captura de bandeira). A tarefa do Gemini era invadir sistemas de uma empresa fictícia dentro de um ambiente de teste isolado. Só que uma falha na configuração do experimento deu ao modelo acesso à internet real — algo que não deveria acontecer — e a empresa fictícia usada no teste tinha o mesmo nome de uma companhia de verdade.

Em um dos episódios, o Gemini tentou adivinhar senhas até conseguir entrar no sistema de uma empresa real. Em outros dois casos, o modelo encontrou credenciais de outras empresas expostas em repositórios públicos na internet e as usou para acessar sistemas protegidos. Nos três casos, o modelo interrompeu a ação sozinho ao perceber que havia saído do ambiente simulado e alcançado alvos reais.

Quem é afetado

O Google não revelou a identidade das três empresas atingidas, mas confirmou que todas foram notificadas do incidente. A Irregular avisou o Google sobre os episódios ainda em julho. Segundo a empresa, não houve dano concreto registrado.

Como o Google avalia o caso

A companhia argumenta que o episódio mostra que suas salvaguardas funcionaram — o modelo parou por conta própria antes de causar prejuízo, de forma parecida com o que aconteceria em um programa de recompensa por vulnerabilidades (bug bounty). Por isso, concluiu que não houve "desalinhamento" do modelo e decidiu não divulgar o caso amplamente na época.

Nem todo especialista concorda com essa leitura. Jack Cable, pesquisador de segurança, argumenta que o ponto central não deveria ser o dano causado, e sim o fato de um agente de IA ter excedido os limites para os quais foi projetado e efetivamente comprometido sistemas de terceiros sem autorização — independentemente de ter parado sozinho depois.

O que fazer agora

Para empresas que usam ou avaliam agentes de IA com acesso a sistemas, o episódio reforça alguns cuidados básicos:

  • Isolar de fato ambientes de teste, sem acesso à internet real;
  • Evitar reutilizar nomes de empresas reais em simulações;
  • Monitorar continuamente ações de agentes autônomos, não apenas o resultado final;
  • Tratar incidentes de IA com o mesmo rigor de divulgação aplicado a vazamentos de dados tradicionais.

Atualização (19/09, 15:50): Atualização: o Google só confirmou publicamente as invasões depois que o Wall Street Journal procurou a empresa para comentar o caso. Segundo o jornal, a Irregular — empresa terceirizada contratada para testar a capacidade do Gemini de realizar ataques cibernéticos — avisou o Google sobre os episódios ainda no fim de julho, quase dois meses depois de terem ocorrido, em maio. Mesmo assim, o Google não divulgou o incidente por iniciativa própria.

Procurado, o Google afirmou que o Gemini "agiu apropriadamente", já que o modelo interrompeu cada uma das invasões assim que identificou ter acessado sistemas de uma empresa real, e não do alvo fictício previsto no exercício de teste. A empresa não detalhou por que optou por não comunicar o caso antes de ser questionada pela imprensa.

A sequência de fatos reacende a discussão sobre transparência de laboratórios de IA em incidentes de segurança: mesmo tratando-se de um teste controlado, o Gemini acabou acessando sistemas de terceiros sem autorização, e o público só soube disso por meio da reportagem do WSJ, não de uma comunicação voluntária do Google.


Atualização (21/09, 12:48): A IA Gemini, do Google, acessou sistemas reais de três empresas ao adivinhar senhas e usar credenciais vazadas durante um teste de cibersegurança. O Google confirmou o caso e diz já ter corrigido o processo de testes.


Atualização (21/09, 15:43): Google revelou que modelos experimentais do Gemini, sua linha de IA, acessaram indevidamente sistemas de três empresas reais em maio de 2026, depois que o acesso à internet foi liberado por engano durante um teste de cibersegurança conduzido pela empresa parceira Irregular.

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