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Mercado27 de out. de 2026, 17:37

General Compute levanta US$ 100 milhões e desafia pessimismo sobre neoclouds

A startup americana General Compute fechou uma Series A de US$ 100 milhões para expandir sua nuvem de chips de inferência fora do ecossistema Nvidia, avaliada agora em US$ 800 milhões. O CEO contesta a narrativa de colapso das neoclouds, dizendo que ela está "extremamente exagerada".

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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O número que importa

A General Compute, startup americana que opera uma nuvem de computação baseada em chips de inferência de IA fora do ecossistema Nvidia, acaba de levantar US$ 100 milhões em uma rodada Series A. A rodada foi liderada pela Blackbird Ventures e pela Abstract Ventures, e eleva a avaliação da empresa a US$ 800 milhões — um salto expressivo frente aos US$ 60 milhões da rodada seed, fechada em maio deste ano.

O que é uma "neocloud" e por que ela estaria em crise

Neoclouds são provedores de nuvem especializados em computação para treinar e rodar modelos de IA, geralmente dependentes de GPUs da Nvidia. Nos últimos meses, esse segmento passou a ser retratado como uma bolha prestes a estourar: as ações da CoreWeave, uma das maiores neoclouds do mercado, caíram para mínimas de 12 meses, e Elon Musk chegou a prever que as "mais de 200 neoclouds" existentes passariam por uma onda de consolidação.

A aposta da General Compute: fugir da Nvidia

A General Compute tenta furar esse pessimismo com uma estratégia diferente: em vez de depender de GPUs Nvidia, monta sua nuvem com chips de inferência de fornecedores alternativos, SambaNova, Positron e Cerebras. Segundo o CEO e cofundador Finn Puklowski, a demanda por capacidade de computação continua forte, independentemente do tipo de chip: "Tenho gente me ligando toda semana pedindo TPUs, GPUs, qualquer chip, para conseguir mais capacidade de computação." Para ele, a narrativa de colapso das neoclouds está "extremamente exagerada".

Quem ganha e quem perde

James Palmer, principal da Blackbird Ventures, resume o racional do investimento: fabricantes de chips alternativos como Cerebras, Positron e SambaNova precisam de parceiros de distribuição, papel que a General Compute se propõe a cumprir. Rodrigo Liang, CEO da SambaNova, reforça o ponto com uma ressalva: "todo mundo nesse mercado está vendendo velocidade. A questão real é se dá para ganhar dinheiro fazendo isso."

A empresa já tem um cliente que lhe garante US$ 100 milhões em receita recorrente anual e planeja colocar 75 megawatts de capacidade computacional em operação em 2027, com acesso a até 200 megawatts de energia disponível. Se a aposta se confirmar, quem sai ganhando são os fabricantes de chips fora do circuito Nvidia, e quem perde terreno no discurso é a tese de que toda neocloud está condenada ao mesmo destino.

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