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Ciência12 de ago. de 2026, 11:12

Geoglifos por LiDAR revelam civilização de até 3 milhões na Amazônia

Levantamento aéreo encontrou centenas de estruturas de terra escondidas sob a floresta no Acre, ligadas a um povo que viveu entre 600 a.C. e 850 d.C.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana: uma Grécia antiga escondida sob a copa das árvores

"Enquanto Pitágoras estava na Grécia antiga fazendo seu teorema, tínhamos gente aqui na Amazônia fazendo geometria", resume o geógrafo Alceu Ranzi, presidente do Instituto Geoglifos da Amazônia e um dos pioneiros na descoberta desses monumentos, ainda nos anos 1970. A frase dá a régua do que um novo estudo, publicado na revista Nature em 29 de julho, propõe: uma civilização batizada de Aquiry — em referência ao rio Aquiri, hoje Acre — pode ter somado entre 1,25 milhão e 3 milhões de pessoas no auge.

O que está confirmado

A ferramenta por trás da descoberta é o LiDAR, tecnologia que dispara lasers de aviões e consegue enxergar o relevo do solo mesmo sob a copa fechada da floresta. O levantamento, liderado pelo arqueólogo finlandês Martti Pärssinen com equipe do Brasil, Finlândia e Peru, identificou 432 estruturas de terra na região — geoglifos em formato de círculos, pentagramas, octógonos e quadrados —, das quais apenas 36 já eram conhecidas. A área mapeada soma cerca de 183 mil km², cobrindo principalmente o leste do Acre e avançando por Amazonas, Rondônia, norte da Bolívia e sul do Peru. A ocupação é datada entre 600 a.C. e 850 d.C.

O que ainda é estimativa

A projeção de população (1,25 milhão a 3 milhões) e o número total de estruturas na região (entre 24 mil e 30 mil, segundo diferentes fontes) são extrapolações estatísticas a partir da amostra mapeada — não uma contagem direta. Também não há consenso fechado sobre o número exato de geoglifos: veículos internacionais citam 396 novos, enquanto a imprensa brasileira fala em 432 com 36 já catalogados.

O que os achados sugerem — e o que falta responder

Segundo os autores, os sítios funcionavam como centros públicos, cerimoniais e políticos para visitantes convidados, sem sinais de ocupação permanente nem estruturas defensivas — um modelo social bem diferente do que se supunha para a Amazônia pré-colombiana. Falta esclarecer, porém, quantas dessas 432 estruturas já foram escavadas no solo (o LiDAR mostra o relevo, não o que está enterrado) e se a estimativa populacional resiste a datações mais precisas por sítio.

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