
Gestora de Musk distribui US$ 8,5 bi em ações da SpaceX a investidores
A Valor Equity Partners, sócia histórica de Elon Musk, optou por repassar ações da SpaceX aos cotistas em vez de vender e devolver dinheiro. A manobra evita pressão sobre o preço do papel e ainda rende vantagem fiscal aos investidores.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 8,5 bilhões que não vieram em dinheiro
Oito vírgula cinco bilhões de dólares: é esse o valor em ações da SpaceX que a Valor Equity Partners, gestora de private equity fundada por Antonio Gracias e uma das principais apoiadoras de Elon Musk há quase duas décadas, acaba de distribuir aos seus cotistas (LPs). A distribuição, revelada em documento na SEC nesta terça-feira, corresponde a cerca de 8,5% da posição que a gestora detinha na fabricante de foguetes.
Ações em vez de cheque
O detalhe que chama atenção não é só o tamanho do cheque — é a forma como ele foi pago. Em vez de vender as ações no mercado e repassar o dinheiro em espécie, a Valor optou por transferir os papéis diretamente aos investidores, em uma distribuição in-kind. Duas razões práticas explicam a escolha: primeiro, uma venda desse volume pressionaria para baixo o preço da ação, que já acumula queda de cerca de 10% desde a estreia em bolsa da SpaceX, em junho; segundo, repassar as ações em espécie pode gerar vantagem tributária para os LPs, que decidem por conta própria quando (e se) vender.
Quem ganha e quem fica de olho
Quem ganha aqui são os cotistas da Valor — fundos de pensão, fundos soberanos e family offices que agora podem realizar lucro no seu próprio ritmo, sem depender da liquidez que a gestora conseguiria abrir no mercado. A Valor foi a segunda maior acionista da SpaceX no IPO, atrás apenas do próprio Musk, e a operação representa o maior retorno da história do fundo. Mesmo distribuindo essa fatia, a gestora ainda mantém mais de 460 milhões de ações da companhia — ou seja, a torneira está longe de fechar.
Quem fica de olho é o mercado secundário de SpaceX: cada nova distribuição de ações por gestoras como a Valor aumenta o número de acionistas com papel em mãos e, potencialmente, a oferta disponível caso alguém precise de caixa. Com o valuation implícito da companhia girando na casa dos US$ 100 bilhões e o histórico de Musk de manter rígido controle sobre quem pode negociar ações da SpaceX, o movimento da Valor é também um teste de como o mercado vai digerir a liquidez pós-IPO de uma das empresas mais valiosas do mundo.