
Giraffe Bio capta US$ 6,4 milhões para extrair mais cobre com biomoléculas
Startup sul-americana projeta déficit de 25% na oferta de cobre até 2040, puxado por data centers de IA e veículos elétricos, e promete até 5% mais recuperação do metal em minas já existentes.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O número que importa: déficit de 25% até 2040
A oferta global de cobre pode ficar 25% abaixo da demanda até 2040, puxada pelo boom de data centers de IA e pela eletrificação de veículos — e só 0,3% das minas em fase de exploração chegam a se tornar minas em operação, o que torna a abertura de nova oferta lenta e cara. É nesse cenário que a Giraffe Bio, startup sul-americana de biotecnologia, levantou uma rodada seed de US$ 6,4 milhões para vender biomoléculas sob encomenda que ajudam mineradoras a extrair mais cobre das minas que já existem.
A tecnologia: biologia sem precisar de bactéria viva
Diferente do bioleaching tradicional, que despeja bactérias vivas sobre o minério, a Giraffe Bio cultiva microrganismos geneticamente modificados em biorreatores para produzir compostos — biomoléculas — sob encomenda, sem precisar manter o micróbio vivo durante o processo de mineração. “Conseguimos aproveitar toda a maquinaria biológica sem precisar lidar com manter um micróbio vivo”, explicou Alejandro Buffo Sempé, cofundador e CEO da empresa. Os compostos são inseridos na etapa de flotação de cobre, processo já existente na mina, sem exigir novo equipamento. O resultado, segundo a empresa, é ganho de recuperação de 3 a 5 pontos percentuais de cobre — “isso é realmente muito material”, resumiu o CEO.
A rodada
A captação de US$ 6,4 milhões foi liderada pela Orion Industrial Ventures, com participação de BHP Ventures — braço de investimento da mineradora australiana BHP, uma das maiores do mundo —, além de Twynam, Air Capital e Baruch Future Ventures. É dinheiro para escalar uma tecnologia que a empresa já validou em laboratório com amostras reais de minério, mas que ainda não tem piloto comercial nomeado publicamente.
Quem ganha — e por que agora
O timing da Giraffe Bio aposta em uma lacuna de oferta que a indústria de mineração já reconhece: construir uma mina nova leva décadas e tem taxa de sucesso baixíssima, então extrair mais metal de minas já em operação é a alternativa mais rápida disponível. Para mineradoras pressionadas por metas de produção, uma tecnologia “plug-and-play” que não exige redesenhar a planta é um apelo direto ao bolso. Buffo Sempé já fala em expandir a plataforma para outros metais: “A beleza disso é que podemos direcionar para cobre ou podemos direcionar para ouro ou prata.” Por ora, o foco é claramente seletivo: “Somos extremamente bons em pegar só o cobre.”
O que falta provar
A validação até aqui é de laboratório. O próximo passo — e o que vai decidir se os US$ 6,4 milhões se transformam em contratos reais com mineradoras — é rodar a tecnologia em escala de planta industrial, algo que a empresa ainda não confirmou publicamente ter feito.