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IAMercado27 de out. de 2026, 12:38

GM aposta em IA e baterias, mas diz não a robôs humanoides na linha

Em evento em Nova York, a General Motors detalhou seu novo roadmap de inteligência artificial, baterias e direção autônoma — e seu executivo de produto foi claro: robôs com forma humana não são a solução para a fábrica do futuro.

Por Elias Brandão · Analista de IA e ética

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Imagine contratar um funcionário com braços, pernas e cabeça só porque "assim que trabalhador deve ser" — mesmo que a tarefa dele seja apertar um parafuso sempre no mesmo ponto, o dia inteiro. É mais ou menos essa a crítica que Sterling Anderson, executivo de produto da General Motors (GM, uma das maiores fabricantes de automóveis dos Estados Unidos), fez aos robôs humanoides em entrevista ao site The Verge, durante um evento em Nova York onde a montadora apresentou seu novo roadmap de inteligência artificial, baterias e direção autônoma.

Forma não é função

Anderson resumiu a ideia com uma frase que merece virar placa de fábrica: humanoides "não nascem de princípios básicos — eles colocam a forma antes da função". Em bom português: o corpo humano evoluiu para fugir de predadores e caçar no mato, não para parafusar portas de carro. Por isso, segundo ele, "o chão da fábrica é o imóvel mais valioso que existe", e enchê-lo de robôs bípedes tropeçando de um lado para outro é desperdício de espaço e de eficiência. A GM prefere formas sob medida para cada tarefa — ele citou como exemplo algo como "um polvo pendurado num guindaste", adaptado à função, e não ao capricho estético de parecer gente.

É um recado direto a um setor em que rivais têm investido pesado em robôs humanoides para fábricas. A posição da GM é, antes, pragmática: usar IA para tornar fábricas e carros mais eficientes, sem o verniz de ficção científica.

O roadmap: IA, baterias e direção sem as mãos

O plano apresentado em Nova York tem três frentes. Primeiro, veículos desenvolvidos com apoio intenso de IA e testes virtuais, encurtando o ciclo tradicional de quatro a cinco anos para pouco mais de dois. Segundo, uma nova geração de baterias de lítio-manganês, mais baratas e densas em energia. Terceiro, avanços em direção autônoma — a meta é levar tecnologia "eyes-off" (quando o motorista pode tirar os olhos da estrada) para picapes e SUVs, um nível acima do simples "mãos livres" que já existe hoje.

E os dados do seu carro?

Sobre privacidade, Anderson descreveu um modelo de criptografia de ponta a ponta: a GM não veria os dados brutos do motorista, que concederia permissão a um assistente de IA para usá-los, mantendo acesso da empresa restrito a informações agregadas e anônimas. O discurso chega em momento sensível: a GM fechou, em 2025, um acordo de US$ 12,75 milhões com a FTC (órgão antitruste e de defesa do consumidor dos EUA) por vender dados de localização e comportamento de direção de clientes do OnStar sem consentimento claro — episódio que mostra por que a empresa precisa, agora, provar na prática que aprendeu a lição.

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