tech & talk
Mercado23 de out. de 2026, 10:11

GM aposta em IA e supercomputador de bordo para frear chinesas

Nova plataforma de 4ª geração da GM traz computador central 40 vezes mais potente e chega em 2028 no Cadillac Escalade IQ. A montadora quer cortar o ciclo de desenvolvimento pela metade para não perder mais terreno para BYD e outras rivais chinesas.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

Compartilhar

Computador 40 vezes mais potente que o atual

A GM confirmou que vai lançar em 2028, no Cadillac Escalade IQ, uma plataforma de veículos elétricos de 4ª geração com um novo computador central (CCU) até 40 vezes mais poderoso que os sistemas atuais da montadora. O chip concentra funções de propulsão, chassi, percepção, segurança ativa e software em uma única unidade, reduz a fiação do carro em 30% e, segundo a empresa, será compatível também com modelos a combustão — não só com elétricos.

A aposta é clara: usar poder computacional e inteligência artificial como vantagem competitiva, já que em especificações isoladas de bateria ou motor a GM dificilmente supera as rivais chinesas.

Foto: reprodução/techcrunch.com

Prazo de desenvolvimento é o maior inimigo

Segundo a TechCrunch, engenheiros da GM simularam 300 mil projetos virtuais de bateria com ferramentas de IA antes de construir o primeiro protótipo físico do novo sistema — um processo que levou o conceito à aprovação em apenas um mês. O objetivo declarado é reduzir o ciclo de desenvolvimento de veículos de 4-5 anos para 2-3 anos, equiparando a velocidade das montadoras chinesas, hoje referência em lançar modelos rapidamente.

Foto: reprodução/cnbc.com

Sterling Anderson, vice-presidente executivo de produto global e diretor de produtos da GM, disse à TechCrunch que a empresa quer transformar os carros em "espaços que entendem contexto, reduzem fricção e devolvem momentos" aos motoristas. Em entrevista à CNBC, Anderson reforçou que "há uma virtude inerente à velocidade" e que a nova arquitetura permitirá construir "um sistema muito mais performático do que seria possível de outra forma".

Quem ganha e quem perde

A pressão é real: fabricantes chinesas já respondem por mais de 62% das vendas globais de veículos eletrificados em 2026, segundo levantamentos do setor, avançando inclusive em mercados fora da China. Nos Estados Unidos, a GM ainda não enfrenta a concorrência direta de marcas como BYD por barreiras tarifárias, mas a disputa já é global — e na própria China, onde a montadora americana vende forte, os novos energéticos (NEVs) já representam mais de 60% das vendas da GM no terceiro trimestre de 2026.

A GM capitalizou US$ 866 milhões em despesas de amortização de software só em 2025, sinal do tamanho da aposta. Se o plano funcionar, a vencedora é a GM, que ganha velocidade e diferenciação por software frente a Tesla e Rivian nos EUA e chinesas no resto do mundo. Se atrasar — e a estreia de 2028 já é um prazo apertado para uma indústria com histórico de adiamentos —, quem ganha é justamente quem a GM tenta alcançar: as montadoras chinesas, que não param de ampliar participação de mercado.


Atualização (22/10, 13:09): Atualização (22/10/2026): No balanço do terceiro trimestre de 2026, divulgado em 20 de outubro, a GM reafirmou que está "all-in" (totalmente comprometida) com veículos elétricos e direção autônoma, rejeitando a narrativa de uma "Malaise 2.0" — termo usado para descrever uma crise na indústria automotiva americana. A montadora reportou receita recorde de US$ 50 bilhões no trimestre (alta de 3% em relação ao ano anterior) e lucro ajustado por ação de US$ 3,70, superando as estimativas do mercado, o que reforçou o discurso de confiança da empresa em sua estratégia de longo prazo.

Segundo a GM, as perdas com veículos elétricos devem cair entre US$ 1 bilhão e US$ 1,5 bilhão no ano, resultado do ajuste de capacidade produtiva à demanda real, enquanto a empresa planeja ampliar a oferta de híbridos em segmentos-chave sem grandes novos investimentos de capital. Na frente de autonomia, a CEO Mary Barra confirmou que o Cadillac Escalade IQ, em 2028, será o primeiro modelo a oferecer direção autônoma "eyes-off" (sem necessidade de monitoramento visual do motorista) em rodovias sem as limitações de domínio operacional vistas em sistemas concorrentes, baseado na experiência acumulada do Super Cruise e da Cruise.

A GM destacou que conquistar a confiança dos consumidores é condição central para o avanço dessa estratégia: a empresa já soma mais de 1 bilhão de milhas acumuladas em modo "mãos livres" com o Super Cruise, marco que, segundo a montadora, comprova a confiança já construída com os clientes. Barra afirmou ainda que o novo sistema vem sendo testado em ambiente digital capaz de simular o equivalente a cerca de 100 anos de condução humana por dia, como parte da validação antes do lançamento em 2028.

gmcadillaccarros elétricosinteligência artificialmercado chinêsatualizada
Compartilhar