
GM aposta US$ 900 milhões em fábrica piloto de baterias nos EUA
A GM investiu US$ 900 milhões num centro piloto de baterias em Michigan para acelerar a química LMR, que usa menos cobalto e níquel. A fabricante diz que a aposta é necessária para não ficar atrás das rivais chinesas.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O número que importa: US$ 900 milhões
A GM, uma das maiores fabricantes de carros dos Estados Unidos, investiu US$ 900 milhões pra erguer o Battery Cell Development Center (BCDC), um complexo de dois prédios somando 500 mil pés quadrados (cerca de 46 mil m²) dentro do campus de 710 acres da empresa em Warren, Michigan. O valor foi confirmado por Mo Gallegos, executivo que chefia a instalação, à revista americana The Verge.
A fábrica não é a linha de produção em massa que vai abastecer os carros elétricos da GM nas concessionárias. Ela funciona como uma escala intermediária: recebe baterias desenvolvidas em lotes pequenos — de 30 a 50 por dia — no centro de pesquisa Wallace, vizinho, e testa se a química e o processo aguentam ser ampliados pra produção real. Rodando, a linha piloto chega a produzir cerca de 2.500 células por dia, o equivalente a meia gigawatt-hora por ano.
A aposta química
O foco da fábrica é a célula LMR (lithium manganese-rich, rica em manganês), que usa pouco cobalto e níquel — os dois metais mais caros e concentrados em poucos países produtores na cadeia de baterias. A GM também testa células de sódio-íon em parceria com a Peak Energy, startup americana de baterias.
Quem ganha e quem fica atrás
A comparação que a própria GM faz é com a Tesla: poucas fabricantes de carro fora dela têm joint ventures de células de bateria próprias como a GM tem com a Ultium Cells LLC. O objetivo declarado é cortar pela metade o tempo entre desenvolver uma química de bateria em laboratório e colocá-la numa fábrica em escala — vantagem que a GM diz precisar pra não ficar atrás de fabricantes chinesas, hoje líderes mundiais em custo e volume de produção de baterias.
O que a GM não detalhou é prazo: não há data pra quando a química LMR testada no BCDC vai aparecer num carro à venda, nem quanto essa aceleração realmente reduz o preço final de um elétrico pro consumidor.