
GM é banida por 5 anos de vender dados de motoristas nos EUA
A FTC americana proibiu a General Motors de vender dados de comportamento ao volante por cinco anos após descobrir repasses a corretoras usadas por seguradoras. Veja o que aconteceu e como se proteger.
Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança
O que aconteceu
A Federal Trade Commission (FTC), agência antitruste e de proteção ao consumidor dos Estados Unidos, fechou um acordo que proíbe a General Motors (GM), uma das maiores montadoras americanas e dona da Chevrolet no Brasil, de vender dados de comportamento ao volante por cinco anos. A decisão, tornada definitiva em janeiro de 2026, pune um esquema que rodava desde dezembro de 2016: a GM coletava informações dos carros equipados com o serviço OnStar Smart Driver — nome, endereço, número do chassi, viagens, freadas bruscas, acelerações e registros de quando o motorista passava de 130 km/h — e vendia tudo para corretoras de dados.
Duas empresas compravam esse pacote: a Verisk, especializada em avaliação de risco para seguradoras, e a LexisNexis Risk Solutions, que fornece dados de comportamento a companhias de seguro. Uma reportagem do New York Times, em 2024, já havia mostrado motoristas pagando seguro mais caro sem entender o motivo — a resposta estava nesse repasse de dados.
Quem é afetado
O caso é dos Estados Unidos e atinge sobretudo donos de veículos GM cadastrados no OnStar Smart Driver, recurso que existe há anos por lá. No Brasil, a Chevrolet opera com telemetria própria em alguns modelos, mas não há indício de venda de dados nos mesmos moldes — o que não dispensa atenção: qualquer carro conectado coleta e transmite dados de uso.
O que fazer agora
- Revise, no aplicativo do seu carro conectado, quais permissões de localização e telemetria estão ativas;
- Procure a opção de desativar o compartilhamento de dados com terceiros, quando existir;
- No Brasil, use a LGPD para pedir à montadora quais dados ela guarda sobre você e exigir a exclusão;
- Fique atento a aumentos de seguro sem explicação clara e peça à seguradora a origem dos dados usados no cálculo.
O acordo com a FTC também obriga a GM a apagar os dados já coletados e a pedir consentimento explícito antes de reunir novas informações dos veículos, exigência que vale pelos próximos 20 anos.