
GM sob pressão: freios eBoost ligados a 22 acidentes em 1,16 milhão de carros
A NHTSA elevou ao nível máximo a investigação sobre o sistema de freio-por-fio eBoost da GM, que já soma 745 reclamações, 22 acidentes ou incêndios e cinco feridos.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
De um Cadillac a 1,16 milhão de carros
O número que importa é 1.164.820. É essa a frota de veículos da General Motors agora sob investigação federal por falhas no sistema de freio-por-fio eBoost — um salto brutal ante os cerca de 3.300 veículos do escopo original, aberto em abril de 2024 após queixas sobre o Cadillac Lyriq 2023. Em 21 de agosto, a National Highway Traffic Safety Administration (NHTSA) elevou o caso a "engineering analysis", o nível mais alto de apuração da agência antes de exigir um recall formal — processo registrado como EA26006.
Os números da falha
Segundo o resumo de abertura da NHTSA, já são 745 incidentes reportados, incluindo 22 acidentes ou princípios de incêndio e cinco casos de ferimentos. Motoristas relatam pedal de freio anormalmente duro e perda repentina de assistência de frenagem, seja ao ligar o veículo, seja em movimento. A GM atribui o problema a fraturas no spindle do módulo eletrônico de controle de freio durante eventos do ABS — mas o próprio escritório de defeitos da NHTSA (ODI) já sinalizou que parte dos relatos de perda "imediata" de assistência de frenagem é inconsistente com essa explicação da montadora.
Quem entra na lista
A investigação ampliada cobre 14 linhas de veículos dos anos-modelo 2023 a 2026: Chevrolet Colorado e Traverse, Blazer EV e Equinox EV, GMC Canyon e Acadia, Cadillac Lyriq, Optiq e Celestiq, Buick Enclave e Envision, além do Cruise Origin. A lista também puxa para dentro do problema os parceiros da GM: Honda Prologue e Acura ZDX, EVs nascidos de joint venture com a GM, compartilham o mesmo sistema eBoost.
Quem ganha e quem perde
O risco imediato é reputacional e financeiro para a GM, que já vinha de uma retração morna na demanda por elétricos e agora enfrenta a possibilidade real de um recall em massa — o tipo de evento que historicamente pesa nas ações e nos custos de garantia das montadoras. Para a Honda e a Acura, o efeito colateral é indesejado: entram na lista sem culpa direta no desenho do sistema, mas herdam o mesmo risco de imagem por dependerem da tecnologia da parceira americana. Reguladores, por sua vez, ganham munição para pressionar por padrões mais rígidos em sistemas de frenagem eletrônica, cada vez mais comuns à medida que a indústria eletrifica a frota.
O que vem a seguir
Uma engineering analysis não determina automaticamente um recall, mas é o degrau que precede a maioria deles no histórico da NHTSA. A GM já forneceu registros de investigações internas à agência; a decisão sobre se o defeito é sistêmico — e se afeta todos os 1,16 milhão de veículos ou um subconjunto — deve sair nos próximos meses.