
GM vai fechar fábrica de baterias em Detroit, mas motivo não é o que parece
A GM, uma das maiores montadoras dos EUA, vai encerrar a Brownstown Battery Assembly Plant no verão de 2027, quando o contrato de aluguel do imóvel expira. A empresa afirma que a decisão não tem relação com sua estratégia para carros elétricos.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
Fábrica fecha com contrato de aluguel, não por causa dos elétricos
A General Motors (GM), uma das maiores montadoras dos Estados Unidos, vai encerrar as operações da Brownstown Battery Assembly Plant, unidade de 480 mil pés quadrados (cerca de 44,5 mil m²) localizada ao sul de Detroit, no estado americano de Michigan. O fechamento está marcado para o próximo verão no hemisfério norte (por volta de junho a setembro de 2027), quando vence o contrato de aluguel do imóvel. A GM não é proprietária do terreno: assumiu a locação de longo prazo que antes pertencia à Piston Automotive e agora avalia alternativas para o espaço, sem decisão anunciada.
O detalhe que chama atenção é o motivo. Apesar de a planta produzir componentes ligados a veículos eletrificados, a própria GM negou qualquer vínculo entre o fechamento e sua estratégia para carros elétricos. "O fechamento não está relacionado à estratégia de veículos elétricos da GM", afirmou um porta-voz da empresa à TechCrunch. A causa é puramente contratual: o aluguel está acabando.
Quem trabalha lá e o que a fábrica produzia
Aberta em 2009, a Brownstown Battery Assembly Plant chegou a empregar cerca de 300 pessoas. Hoje, restam menos de uma dezena de funcionários, reflexo de cortes de produção que já vinham ocorrendo. A unidade fabricava pacotes de bateria para o Cadillac Celestiq, sedã elétrico de luxo de baixo volume, além de baterias e unidades de tração elétrica para o Chevrolet Corvette E-Ray, híbrido montado na fábrica de Bowling Green, no Kentucky.
Segundo a GM, os funcionários afetados foram notificados ainda no início do ano e devem receber oportunidades de realocação em outras unidades próximas, conforme o acordo nacional entre a montadora e o sindicato UAW.
Quem ganha e quem perde
No balanço, quem perde é a força de trabalho remanescente da planta, mesmo que pequena, e a cidade de Brownstown, que vê encerrar um ativo industrial aberto há 17 anos. Quem ganha, em tese, são as unidades vizinhas que devem receber os funcionários realocados via UAW, e a própria GM, que se desfaz de um imóvel alugado e subutilizado sem custos de uma reestruturação formal.
O episódio também se encaixa em um recuo mais amplo da GM em apostas ligadas a elétricos e hidrogênio: em 2024, a montadora já havia abandonado planos de uma fábrica de baterias de US$ 2,5 bilhões em Lansing, também em Michigan, deixando o projeto nas mãos da LG Energy Solution. Mesmo assim, a empresa reforça que mantém o desenvolvimento de modelos como o Chevrolet Bolt e o Silverado EV, além de pesquisas em novas químicas de baterias.