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Segurança20 de ago. de 2026, 10:33

Golpe da falsa central bancária: como advogado perdeu R$ 600 mil

Reportagem do Fantástico mostrou um advogado do Paraná que perdeu cerca de R$ 600 mil no golpe da falsa central bancária, com conta esvaziada e financiamento contratado em seu nome. Entenda como o golpe funciona e o que fazer para se proteger.

Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança

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O que aconteceu

Uma reportagem exibida pelo Fantástico em 10 de agosto mostrou o caso de um advogado do Paraná que perdeu cerca de R$ 600 mil no chamado golpe da "falsa central bancária". Segundo o relato, tudo começou com uma mensagem que parecia vir do gerente da conta, citando dados pessoais e o CPF da vítima e questionando uma suposta transação suspeita. Em seguida, uma mulher ligou se identificando como funcionária de uma central de segurança do banco e orientou o advogado a acessar códigos e realizar operações no aplicativo bancário para "cancelar" as movimentações fraudulentas.

Na prática, era o próprio golpe em andamento. Os criminosos usaram pressão psicológica e senso de urgência — segundo a vítima, a golpista dizia frases como "você precisa fazer isso agora porque daqui a dez minutos a sua conta será totalmente zerada" — para induzi-lo a autorizar as operações. Ao final, a conta foi esvaziada, o limite do cheque especial foi usado e um financiamento foi contratado em nome do advogado sem seu conhecimento. Ele não recebeu ressarcimento do banco e, segundo a reportagem, passou "de vítima para inadimplente".

Foto: reprodução/condorcontabilidade.com.br

De acordo com a Febraban, o golpe se apoia em manipulação psicológica, e não em invasão de sistemas: os criminosos podem abordar a vítima por ligação, SMS, WhatsApp ou outros canais, e chegam a usar nome, número de telefone e até foto de gerentes reais para dar credibilidade ao contato.

Quem é afetado

Qualquer correntista pode ser alvo, já que os golpistas costumam ter acesso prévio a dados pessoais e bancários da vítima, o que torna a abordagem mais convincente. O caso do Paraná mostra que o prejuízo não se limita ao saldo em conta: cheque especial e linhas de crédito no nome da vítima também podem ser comprometidos. Bancos nunca pedem senha, dados pessoais completos ou instalação de aplicativos por telefone — esse é justamente o sinal de alerta.

A recuperação de valores também não é automática. O Mecanismo Especial de Devolução (MED) permite pedir a devolução de Pix feitos por fraude em até 80 dias, mas o retorno do dinheiro não é garantido. O Superior Tribunal de Justiça já decidiu que a responsabilidade do banco por reembolsar depende de comprovação de falha na prestação do serviço, ou seja, o ressarcimento não é automático mesmo em casos de golpe.

O que fazer agora

  • Desconfie de qualquer contato — ligação, SMS ou WhatsApp — que peça para você acessar códigos ou repetir informações no aplicativo do banco;
  • Lembre-se: bancos não pedem senha, dados completos ou instalação de aplicativos por telefone;
  • Se receber uma mensagem suspeita, desligue e ligue de volta usando o número oficial do banco, buscado por conta própria;
  • Em caso de suspeita de fraude, acione o MED o quanto antes — o prazo para pedir devolução de Pix é de até 80 dias;
  • Registre boletim de ocorrência e contate o banco formalmente para abrir contestação, mesmo sabendo que o reembolso não é garantido;
  • Monitore extratos, limites de cheque especial e possíveis financiamentos abertos em seu nome, especialmente após qualquer contato suspeito.
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