
Golpe do QR Code: como funciona o "quishing" e como se proteger
Criminosos trocam ou adulteram códigos para desviar pagamentos de boletos e lojas; Febraban recomenda checagem simples antes de pagar.
Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança
O que aconteceu
Especialistas em segurança alertam para o crescimento do "quishing" — golpe que usa QR Codes falsos ou adulterados para desviar pagamentos. A técnica aparece em três formatos principais: QR Codes trocados em sites de e-commerce ou páginas falsas, adesivos fraudulentos colados sobre códigos legítimos em locais físicos como bares, feiras e estacionamentos, e boletos impressos com o código original substituído por um que direciona o valor para a conta do criminoso.
Quem é afetado
Qualquer pessoa que pague contas ou faça compras escaneando QR Code está exposta, mas o golpe é especialmente eficaz em boletos impressos e em pagamentos físicos, onde a vítima tem menos chance de notar a adulteração antes de confirmar a transação. A Febraban, entidade que representa os bancos brasileiros, já reconhece o problema: "Essa simples verificação pode revelar uma adulteração antes que o dinheiro seja transferido", disse Raphael Mielle, diretor da entidade. Um levantamento do Observatório Rosenbaum de Golpes e Fraudes Bancárias identificou 1.041 decisões da Justiça de São Paulo sobre boletos falsos entre junho de 2025 e agosto de 2026 — em metade dos casos, houve ressarcimento total ou parcial à vítima.
O que fazer agora
- Antes de pagar, confira se o QR Code está colado sobre outro adesivo ou se tem sinais de adulteração física.
- Em boletos, prefira copiar o código de barras numérico direto do documento original em vez de escanear, e confira o nome do beneficiário antes de confirmar.
- No app do banco, leia o valor e o destinatário exibidos na tela de confirmação — não confie apenas na leitura automática do QR Code.
- Em caso de pagamento feito por engano, contate o banco imediatamente para tentar bloquear a transação e registre boletim de ocorrência.
- Evite escanear QR Codes em cartazes ou adesivos sem procedência clara, mesmo em locais que parecem oficiais.