
Golpes online fazem parte da vida de 45 milhões de brasileiros, mostra estudo
Pesquisa do Cetic.br mostra que 32% dos internautas brasileiros já sofreram tentativa de golpe com uso de dados pessoais, e 27,5 milhões foram efetivamente vítimas de fraude.
Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança
O que aconteceu
Um estudo do Cetic.br, centro ligado ao Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), mediu pela terceira vez a exposição de brasileiros a golpes que usam dados pessoais. O resultado: 45 milhões de pessoas com 16 anos ou mais — 32% dos internautas do país — relataram ao menos uma tentativa de fraude desse tipo. Desses, 27,5 milhões (20% dos usuários de internet) dizem ter sido efetivamente vítimas, ou seja, o golpe se consumou.
Quem é afetado
A pesquisa, batizada "Privacidade e proteção de dados pessoais: perspectivas de indivíduos, empresas e organizações públicas no Brasil", não fica só no indivíduo: 39% dos entrevistados disseram que um parente também recebeu tentativa de golpe, e 32% relataram que um familiar chegou a ser vítima. Os canais mais usados pelos golpistas, na visão de quem respondeu, são aplicativos de mensagem (84%), ligações telefônicas (79%), sites ou aplicativos falsos e SMS (71% cada), e-mail (69%) e redes sociais (67%).
O levantamento também olhou para um território mais novo: o uso de ferramentas de inteligência artificial generativa. Ali, 37% dos usuários dizem fornecer dados como nome, endereço ou CPF nas conversas com IA, 58% compartilham preferências pessoais e 52% chegam a informar dados de saúde — mesmo com 66% dizendo se preocupar com o destino dessas informações.
Outro ponto chama atenção: comparado a 2021, o cuidado básico do usuário brasileiro caiu. A leitura de políticas de privacidade recuou de 68% para 65%, a verificação da segurança de sites caiu de 70% para 63%, e a recusa a publicidade personalizada foi de 69% para 67%.
O que fazer agora
- Desconfie de contatos não solicitados por mensagem ou telefone pedindo dados pessoais ou financeiros, mesmo que pareçam vir de empresas conhecidas;
- Confira o endereço de sites antes de digitar informações sensíveis, e evite links recebidos por SMS ou WhatsApp de remetentes desconhecidos;
- Evite enviar CPF, endereço ou dados de saúde em conversas com chatbots de IA generativa, já que não há garantia sobre o uso posterior dessas informações;
- Retome o hábito de checar política de privacidade e certificado de segurança de sites antes de cadastrar dados;
- Avise parentes mais vulneráveis a golpes, já que boa parte das vítimas relatadas no estudo é indicada por outro membro da família.