
Golpistas exploram vazamento no e-mail da Trezor para atacar donos de criptomoedas
Falha de segurança na Brevo, empresa de e-mail marketing usada pela Trezor, fabricante de carteiras físicas de criptomoeda, expôs endereços de cerca de 347 mil clientes e permitiu o envio de e-mails de phishing. A companhia diz que nenhuma carteira foi comprometida, mas cerca de 2.500 pessoas chegaram a clicar no link malicioso.
Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança
A Trezor, fabricante tcheca de carteiras físicas de criptomoeda (as chamadas hardware wallets), confirmou que a Brevo, empresa de e-mail marketing usada para o envio de suas newsletters, sofreu uma violação de segurança que expôs dados de clientes e foi usada como porta de entrada para uma campanha de phishing em grande escala.
O que aconteceu
Segundo a Trezor e reportagens do TechCrunch, BleepingComputer e SecurityWeek, um agente não autorizado obteve acesso a 138 contas da Brevo no início de setembro de 2026. Dessas contas, seis foram usadas diretamente para disparar e-mails de phishing, 43 tiveram dados de contato extraídos e 93 não mostraram uso ativo por parte do invasor.
Foto: reprodução/securityweek.com
Com o acesso, os golpistas dispararam cerca de 347 mil e-mails fraudulentos para endereços cadastrados na newsletter da Trezor, com o assunto "Critical Security Alert: STM32 Entropy Vulnerability". A mensagem simulava um alerta oficial da empresa, afirmando falsamente que um defeito no microcontrolador STM32 usado em alguns modelos de carteira enfraqueceria a geração das frases de recuperação (seed phrases), tornando-as vulneráveis a ataques de força bruta.
Quem clicava no link do e-mail era direcionado a baixar um aplicativo falso que solicitava a senha de backup da carteira, um dado que nenhum serviço legítimo da Trezor pede fora do próprio dispositivo. A empresa afirma ter identificado e derrubado o domínio malicioso em cerca de 20 minutos após a descoberta do golpe, mas nesse intervalo aproximadamente 2.500 pessoas já haviam clicado no link.
Em nota, a Trezor declarou: "Nosso provedor de e-mail terceirizado sofreu uma violação. Esteja ciente de que o e-mail intitulado 'Critical Security Alert: STM32 Entropy Vulnerability' não parte de nós, e se trata de uma tentativa de phishing. Não clique em nenhum link." A empresa reforça que nenhum produto, carteira física ou sistema de conta de usuários foi comprometido.
A Brevo atribuiu o acesso indevido a uma falha na configuração de login único (SSO): um invasor teria criado uma conta própria na plataforma, ativado SSO nela e convidado usuários legítimos para essa configuração, obtendo acesso mais amplo do que deveria. A mesma brecha também afetou outras empresas que usam a Brevo, como a fabricante de carteiras BitBox e o serviço CoinTracking. O episódio se soma a uma violação anterior, revelada em agosto de 2026, que atingiu a ShipMonk, parceira de logística da Trezor, e expôs dados de cerca de 81 mil pessoas.
Quem é afetado
São afetados os cerca de 347 mil endereços de e-mail cadastrados na base de newsletter da Trezor que passaram a receber a mensagem fraudulenta. A exposição, segundo a empresa, se limita a dados de contato, não a chaves privadas, frases de recuperação ou fundos, que continuam armazenados exclusivamente nos dispositivos físicos dos usuários. Usuários de outras carteiras que também usam a Brevo, caso da BitBox, relataram mensagens fraudulentas semelhantes.
O que fazer agora
- Desconfie de qualquer e-mail alertando sobre uma "vulnerabilidade crítica" que exija ação imediata, essa urgência artificial é uma tática clássica de phishing.
- Nunca digite a frase de recuperação (seed phrase) ou a senha de backup da carteira em qualquer site ou aplicativo. Nenhum fabricante legítimo pede essa informação fora do próprio dispositivo físico.
- Não baixe aplicativos a partir de links recebidos por e-mail para supostamente corrigir falhas de segurança; atualizações devem ser feitas apenas pelo site oficial, digitado diretamente no navegador.
- Confira o remetente real do e-mail e passe o mouse sobre links antes de clicar, verificando se o domínio de destino é o oficial da empresa.
- Ative autenticação em duas etapas nos serviços associados à sua conta de criptomoedas sempre que possível.
- Caso tenha clicado no link ou instalado o aplicativo suspeito, transfira os fundos para uma carteira nova o quanto antes, a partir de um dispositivo que você tenha certeza de que não foi comprometido.