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Mercado27 de out. de 2026, 22:40

Google abre inscrições para lojas alternativas no Android a partir de 1º de dezembro

A partir de 1º de dezembro, lojas de apps terceiras poderão oferecer instalação em um clique no Android, mas só depois de aprovadas pelo próprio Google. O programa nasce de um acordo antitruste com a Epic Games.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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1º de dezembro é a data que interessa

A partir de 1º de dezembro de 2026, lojas de aplicativos alternativas ao Google Play poderão oferecer instalação de apps em um único toque no Android, sem as telas de confirmação extra que hoje tornam o sideloading (instalação de apps fora da loja oficial) mais burocrático. A novidade se chama Registered App Stores ("lojas de apps registradas") e as inscrições já estão abertas desde esta terça-feira, 27 de outubro.

Na prática, o Google está formalizando um caminho para que concorrentes da Play Store — como Aptoide e outras lojas regionais — operem com menos fricção para o usuário final. Isso importa porque o maior obstáculo histórico do sideloading no Android nunca foi técnico, e sim de experiência: cada instalação por fora da Play Store exige cliques extras e alertas de segurança que afastam o usuário comum.

Por que isso está acontecendo agora

O programa é fruto do acordo que o Google fechou com a Epic Games (criadora de Fortnite, que processou a empresa por práticas anticompetitivas na Play Store) e que recebeu aval da Justiça americana em março de 2026. Como parte do entendimento, o Google reduziu a comissão cobrada de desenvolvedores — hoje entre 15% e 20%, com taxa adicional de 5% em mercados como EUA, Europa e Reino Unido para quem usa o sistema de cobrança do Google — e se comprometeu a facilitar a existência de lojas concorrentes.

Para entrar no programa, as lojas terceiras precisam estar sediadas fora dos Estados Unidos (a expansão ao mercado americano depende de aprovação judicial adicional do acordo com a Epic) e passar pela aprovação do próprio Google, que avalia critérios de qualidade e segurança. Quem aprova quem pode competir com o Google continua sendo o Google. Também há custo: as lojas pagam uma taxa anual de registro, que cobre suporte operacional e acesso a ferramentas como a nova Android Developer ID API, além de taxas extras de revisão caso o catálogo ultrapasse limites de aplicativos maliciosos. O recurso vale para aparelhos com Android 17 QPR2 ou versões mais recentes.

Quem ganha e quem ainda depende do Google

Desenvolvedores que distribuem fora da Play Store ganham um canal de instalação mais parecido com o da loja oficial, incluindo atualizações automáticas em segundo plano. Lojas alternativas ganham competitividade real pela primeira vez. Mas o desenho do programa deixa claro quem continua no centro do tabuleiro: é o Google que define as regras de entrada, cobra pela participação e mantém o poder de aprovar ou recusar cada loja concorrente. A abertura é real, mas vem com guarda-corpo — e com a conta.

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