
Google amplia demissão voluntária para 5 países e poupa IA e Cloud
Programa de saída voluntária do Google, que paga até 12 salários de indenização, chega a Canadá, França, Alemanha, Japão e Suíça — mas deixa de fora as equipes de Cloud e da DeepMind.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
Doze salários de indenização em cinco países
A Alphabet, controladora do Google, ampliou o programa de saída voluntária para funcionários de Canadá, França, Alemanha, Japão e Suíça. A indenização pode chegar a 12 salários — um mês de remuneração por ano de casa, com teto de 12 meses —, segundo o Olhar Digital. O movimento dá continuidade a um programa que já existia desde 2025 para parte das equipes dos Estados Unidos e do Reino Unido, extensão confirmada também pelo site espanhol DiarioBitcoin.
Quem fica de fora da conta
Foto: reprodução/diariobitcoin.com
A empresa deixou claro quem não entra na lista de prioridade de corte: Google Cloud e a DeepMind, unidade de inteligência artificial do grupo, estão fora do programa. A lógica é a mesma que a Alphabet vem repetindo em cada rodada de ajuste desde o ano passado — redirecionar orçamento e gente para as áreas que sustentam a aposta da empresa em infraestrutura e produtos de IA, mesmo com o quadro de funcionários crescendo no total.
O tamanho real do corte ainda é um mistério
O Google não divulgou quantos funcionários aceitaram a oferta em cada país. Na Suíça, onde a empresa tem cerca de 5 mil funcionários, ao menos quatro pessoas de uma equipe de 50 confirmaram a saída — uma fração pequena, mas o único número concreto que a companhia deixou escapar até agora. Vale lembrar que a Suíça já tinha passado por uma rodada de desligamentos em 2023, que afetou mais de 200 pessoas.
Por que isso importa
Para quem acompanha o mercado de trabalho em tecnologia, o recorte é revelador: a Alphabet não está cortando para economizar de forma genérica, está realocando. Cloud e DeepMind — as duas pontas que sustentam a corrida de IA da empresa — ficam protegidas, enquanto o resto da estrutura absorve o ajuste. Quem perde são as equipes fora do núcleo de IA; quem ganha, pelo menos em orçamento, é a prioridade estratégica já conhecida: a infraestrutura e os modelos de inteligência artificial do Google.