
Google compra 400 MW de energia geotérmica da Fervo para data center
Acordo de compra de energia pode chegar a 1 GW até 2030 e vai abastecer um novo data center de IA do Google em Utah.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O número que importa: 400 MW
O Google fechou um acordo de compra de energia com a Fervo Energy, startup americana especializada em geotermia de nova geração, para receber 400 MW de eletricidade do projeto Cape Station, no sudoeste de Utah. É o maior contrato desse tipo — geotermia "aprimorada", que usa perfuração profunda em rocha quente e seca para extrair calor onde a geotermia convencional não funcionaria — já assinado no mundo.
Como a conta cresce
O contrato tem cláusula de expansão: até junho de 2030, o Google pode comprar mais 600 MW, levando o total a cerca de 1 GW — energia suficiente para abastecer um data center de inteligência artificial de grande porte. A Fervo já está construindo a primeira fase do projeto, de 100 MW, com uma unidade de teste de 33 MW prevista para entrar em operação no quarto trimestre de 2026; a fase de 400 MW deste contrato deve estar pronta em 2028. Para viabilizar tudo isso, a Fervo vai investir mais de US$ 2 bilhões em Cape Station, que tem licença para desenvolver até 2 GW — mas estudos apontam potencial para o dobro disso.
Quem ganha com o acordo
A parceria não é nova: Google e Fervo trabalham juntas há mais de cinco anos, e o Google já havia investido na startup antes de ela abrir capital, em maio de 2026. Para o Google, o ganho é óbvio — energia limpa e previsível para sustentar o apetite elétrico crescente da IA, sem depender só de solar e eólica, que variam com o clima. Para a Fervo, o acordo consolida a geotermia aprimorada como alternativa real de energia de base para data centers, um mercado até agora dominado por gás natural e nuclear. Falta ver se o cronograma de 2028 se sustenta — e se outras big techs vão seguir o mesmo caminho para alimentar seus próprios data centers de IA.