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CiênciaIA09 de out. de 2026, 11:03

Google e Meta investem US$ 300 milhões no projeto da 'célula virtual' de Zuckerberg

Google DeepMind, Meta e a startup Isomorphic Labs somam US$ 300 milhões à Biohub, organização de pesquisa biomédica de Mark Zuckerberg e Priscilla Chan, elevando para US$ 1,8 bilhão o total destinado a mapear o comportamento de células com IA.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana

US$ 1,8 bilhão é mais ou menos o valor de mercado de um banco de porte médio — ou, em termos mais palpáveis, o suficiente para financiar milhares de bolsas de doutorado em biologia por uma década. É esse montante que acaba de ser reunido para tentar construir algo que ainda não existe: um modelo de inteligência artificial capaz de prever como uma célula humana vai se comportar antes mesmo de qualquer experimento em laboratório.

Segundo reportagem da Reuters retomada pelo site The Verge, Google DeepMind, Meta e a Isomorphic Labs — startup de descoberta de fármacos por IA controlada pela Alphabet — vão investir juntos US$ 300 milhões na Biohub, organização de pesquisa biomédica sem fins lucrativos fundada por Mark Zuckerberg e sua mulher, Priscilla Chan. O aporte das três empresas é a fatia mais recente de um financiamento total que chega a US$ 1,8 bilhão para a chamada Virtual Biology Initiative.

O que já é fato

A Biohub havia comprometido US$ 500 milhões ao projeto em abril. Depois entraram o Departamento de Energia dos Estados Unidos, com mais de US$ 500 milhões ao longo de cinco anos, e o Instituto Nacional de Saúde americano (NIH), que soma outros US$ 500 milhões já aplicados anteriormente em dados e repositórios científicos. A entrada de Google DeepMind — laboratório de inteligência artificial do Google —, Meta e Isomorphic Labs, com os US$ 300 milhões combinados, fecha a conta em US$ 1,8 bilhão.

O plano, segundo as fontes, é medir como as células reagem a uma variedade de condições muito maior do que a ciência já testou até hoje, padronizar esses dados e usá-los para treinar sistemas de IA que prevejam o comportamento celular — a tal "célula virtual". Alex Rives, chefe de ciência da Biohub, justificou por que empresas privadas entram no jogo: é preciso dar algum incentivo comercial, por isso os financiadores ganham um período de acesso exclusivo aos dados antes da liberação pública.

O que ainda é promessa

Aqui começa o terreno da hipótese. As instituições envolvidas dizem esperar o primeiro conjunto de dados em cerca de um ano, e modelos preditivos "precisos" dentro de cinco anos — prazo que, segundo os próprios organizadores, poderia encurtar o desenvolvimento de remédios de décadas para algo em torno de um lustro. Não há, até agora, nenhum resultado publicado que comprove essa aceleração; é um objetivo declarado, não um resultado demonstrado. A ideia de uma célula virtual universal — um simulador confiável do funcionamento biológico — ainda é um projeto em construção, dependente de dados que nem foram coletados.

Por ora, o que existe de concreto é o dinheiro na mesa e o desenho institucional da parceria entre gigantes da tecnologia, uma agência federal de energia, um instituto de saúde pública e uma organização filantrópica — todos apostando que biologia e IA, somadas, podem reescrever o ritmo da medicina.

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