
Google é multado em 403 milhões de euros por dados de localização
A DPC irlandesa aplicou multa de 403 milhões de euros ao Google por coletar e usar dados de localização de forma pouco transparente entre 2018 e 2020. Veja o que aconteceu e como revisar seu histórico de localização hoje.
Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança
O que aconteceu
O Google foi multado em 403 milhões de euros pela DPC (Data Protection Commission, órgão de proteção de dados da Irlanda responsável por fiscalizar big techs sediadas no país) por violar o GDPR, a lei europeia de proteção de dados. A investigação apurou que, entre 25 de maio de 2018 e 4 de fevereiro de 2020, três recursos do Google — Web & App Activity, Histórico de Localização e Precisão de Localização — coletaram e trataram dados de geolocalização dos usuários sem transparência suficiente, sem base legal adequada e com retenção de dados além do necessário.
Segundo o vice-comissário da DPC, Graham Doyle, os dados de localização "podem revelar informações profundamente pessoais" sobre as pessoas, e a falta de clareza sobre como o Google usava esses dados — inclusive para segmentar anúncios e inferir interesses — fez com que usuários perdessem o controle sobre suas próprias informações.
A apuração começou em 2020, motivada por reclamações de entidades de defesa do consumidor de países como Noruega, Holanda, Grécia, República Tcheca, Eslovênia, Polônia, Suécia e Dinamarca, além da organização europeia BEUC. Além da multa, o Google tem seis meses para ajustar seus processos de tratamento de dados às exigências da DPC.
Em nota, o Google classificou o caso como relacionado a "políticas históricas" já substituídas. A empresa afirma que, desde 2019, evoluiu significativamente suas práticas, oferecendo ferramentas para exclusão automática do histórico de localização em janelas de 3 a 36 meses e controles mais claros de personalização de anúncios.
Quem é afetado
A multa cobre configurações usadas por qualquer pessoa com conta Google ativa em dispositivos Android ou com apps Google (Maps, Busca, Chrome) entre 2018 e 2020 — ou seja, praticamente toda a base de usuários do ecossistema Google no período. Isso inclui quem nunca desativou manualmente o Histórico de Localização ou o Web & App Activity, mesmo sem perceber que esses dados alimentavam anúncios segmentados.
O que fazer agora
O problema apurado é retroativo (2018-2020), mas vale revisar as configurações atuais, já que muitos recursos continuam ativos por padrão para quem nunca mexeu neles:
- Acesse myactivity.google.com e confira se o Histórico de Localização e o Web & App Activity estão ativados.
- Em Configurações da Conta Google > Dados e privacidade, defina exclusão automática periódica (3, 18 ou 36 meses) em vez de manter tudo salvo indefinidamente.
- No Android, revise em Configurações > Local quais apps têm permissão de acesso à localização "o tempo todo" e restrinja para "apenas durante o uso".
- Use o Painel de anúncios do Google para checar e desativar a personalização baseada em localização, se preferir.
- Exclua manualmente o histórico acumulado em períodos antigos, especialmente se a conta existe desde antes de 2020.