
Google estreia o Googlebook, nova categoria de laptop feita para o Gemini
O Google lançou o Googlebook, linha de notebooks com Acer, Asus, Dell, HP e Lenovo a partir de US$ 899, com Gemini embutido no sistema e chegada às lojas em 4 de outubro. É a aposta do Google de que IA no hardware vale mais que mais um Chromebook.
Por Bruno Vilela · Repórter de Gadgets
O que é o Googlebook
Depois de anos vivendo na sombra dos Chromebooks, o Google resolveu criar uma categoria própria de laptop. Chama-se Googlebook, roda uma versão de Android com otimizações de desktop (nada de ChromeOS puro) e coloca o Gemini como camada central da experiência, não como mais um app instalado. Nas palavras do próprio Google, o cursor do mouse passa a funcionar como um canal direto para a IA, permitindo interagir com textos, imagens e janelas na tela sem sair do que você está fazendo.
Cinco modelos, cinco fabricantes
O lançamento reúne parceiros de peso: Acer, Asus (a taiwanesa conhecida por notebooks e placas-mãe), Dell, HP e Lenovo, cada um com seu próprio Googlebook. Os preços começam em US$ 899 no Acer Googlebook 14, com Intel Core Ultra Series 3, e sobem até US$ 1.299 nas versões Asus, HP e Lenovo, com Snapdragon X Elite ou Core Ultra e telas OLED/LCD de até 2.8K. Autonomia anunciada: até 14 horas de vídeo e 16 horas de navegação — números que, na prática, tendem a encolher quando o Gemini está rodando tarefas em segundo plano o tempo todo.
Chegada às lojas em 4 de outubro
As pré-vendas já estão abertas, e os aparelhos chegam às prateleiras dos EUA em 4 de outubro, com Reino Unido, Irlanda, França, Alemanha e Austrália recebendo a leva um dia depois. Cada Googlebook vem com 12 meses de Google AI Pro, 5TB de nuvem, três meses de YouTube Premium, Adobe Photoshop e um ano de GeForce Now — um pacote de assinaturas que empurra o valor percebido pra cima, mesmo com o preço de entrada competitivo.
Integração com Android e Gemini
A grande virada em relação ao Chromebook é a ponte direta com o celular Android: recursos como "Continue On" deixam o usuário retomar no laptop o que estava fazendo no telefone, e o Magic Pointer usa comandos de voz e IA para descrever arquivos, resumir conteúdo e automatizar tarefas repetitivas. É a mesma lógica de continuidade que a Apple explora entre iPhone e Mac há anos, só que agora puxada pela IA generativa como diferencial.
Por que o Google está apostando nisso
O alvo declarado é o público educacional, onde o Chromebook já reina: são cerca de 50 milhões de máquinas em escolas americanas que o Google quer migrar para o novo ecossistema, criando uma geração de usuários fiéis ao Gemini desde cedo. É uma aposta ousada — trocar o notebook simples e barato dos Chromebooks por uma máquina mais cara mas carregada de IA embutida.
Vale o preço no Brasil?
Sem data de chegada ao Brasil, mas fazendo as contas: US$ 899 já convertido e com a corrente de impostos de importação, o Googlebook de entrada dificilmente sairia por menos de R$ 6 mil por aqui — valor que brigaria de igual para igual com notebooks Windows bem mais estabelecidos. Vale a pena esperar para ver se o pacote de IA embutida realmente justifica o salto de preço frente a um Chromebook tradicional.
Atualização (21/09, 18:42): Atualização (21/09/2026): A MediaTek confirmou que também vai fornecer chips para a nova categoria de laptops Googlebook, ampliando o leque de fabricantes de silício ao lado de Intel e Qualcomm. A empresa taiwanesa anunciou o Dimensity CX C10 Max, processador de 3 nm (fabricado pela TSMC) com design octa-core "all big core" (1x Cortex-X925, 3x Cortex-X4, 4x Cortex-A720), GPU de 11 núcleos e NPU de 8ª geração capaz de até 55 TOPS, além de Wi-Fi 7 e Bluetooth 6.0 — voltado a notebooks e tablets sem ventoinha com foco em recursos do Gemini.
Segundo a MediaTek, o chip promete até 19 horas de bateria em placa de referência com bateria de 60 Wh e vai estrear em um Googlebook da Lenovo. O modelo inicial de 15 polegadas da Lenovo já lançado usa processador Intel; o Dimensity CX C10 Max deve equipar um próximo dispositivo da marca, possivelmente um tablet com o sistema Googlebook que havia vazado anteriormente.