
Google fecha maior acordo de créditos de carbono de arroz da história
O Google vai comprar 1 milhão de créditos de carbono da startup indiana Mitti Labs, gerados pela redução de metano em plantações de arroz. O acordo de quatro anos cobre cerca de 100 mil hectares em três estados da Índia.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
1 milhão de créditos de carbono: é esse o volume que o Google se comprometeu a comprar da startup indiana Mitti Labs, empresa de tecnologia climática fundada em 2023 com sede em Nova York e Bengaluru, no que as próprias companhias descrevem como o maior acordo já anunciado publicamente para créditos gerados pela redução de emissões de metano no cultivo de arroz.
O que cobre o acordo
O contrato tem duração de quatro anos, até 2030, e vai cobrir fazendas de arroz nos estados indianos de Karnataka, Andhra Pradesh e Telangana, alcançando cerca de 100 mil hectares no pico de entrega. Os termos financeiros não foram divulgados. Segundo a Mitti Labs, o projeto vai permitir que mais de 70 mil pequenos agricultores na Índia adotem práticas de redução de metano no cultivo do arroz.
Foto: reprodução/esgtoday.com
Como a tecnologia funciona
O método usado é conhecido como "alternate wetting and drying" (AWD), em que os agricultores drenam e reinundam periodicamente os campos de arroz em vez de mantê-los permanentemente alagados. Segundo a Mitti Labs, essa prática rompe as condições de solo com pouco oxigênio que geram metano, cortando as emissões do gás em cerca de 50% e reduzindo em quase 40% o uso de água de irrigação — sem queda na produtividade das lavouras. Para verificar o impacto e monitorar o cultivo, solo e alagamento das pequenas propriedades à distância, a startup usa uma plataforma de GeoAI que combina imagens de radar de satélite com medições feitas em campo.
Quem ganha e quem perde
Os agricultores indianos que aderirem ao programa ganham em dois fatores: economia de água e uma fonte extra de receita vinculada à venda dos créditos gerados pela mudança de prática. A Mitti Labs também sai fortalecida, consolidando-se como fornecedora de referência para grandes compradores corporativos de créditos de carbono, com planos de expandir para Filipinas em 2026 e para Indonésia e o restante do Sudeste Asiático em 2027.
Já o Google usa o acordo para tentar equilibrar sua própria conta ambiental: as emissões de gases de efeito estufa da empresa cresceram 18% na comparação anual, para 14,5 milhões de toneladas métricas de CO2 equivalente em 2025, alta puxada principalmente pelos investimentos em infraestrutura de inteligência artificial. Créditos como os da Mitti Labs se tornam, assim, uma peça importante — embora não suficiente sozinha — na estratégia da empresa para compensar o crescimento acelerado de sua pegada de carbono enquanto a demanda por data centers de IA segue em alta.