
Google lança IA agente para automatizar serviços de governo nos EUA
Gemini for Government Services já atua no Missouri e no HHS, com análise de políticas e resposta a pedidos de transparência.
Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities
O que o Google lançou
O Google, por meio de sua divisão de nuvem, apresentou no Google Public Sector Summit o Gemini for Government Services, uma ferramenta de inteligência artificial agente — ou seja, capaz de executar tarefas de várias etapas sozinha — voltada para agências federais, estaduais e municipais dos Estados Unidos. O produto, ainda em fase de preview, promete automatizar análise de políticas públicas, triagem e redação de respostas a pedidos de transparência (o equivalente à lei de acesso à informação americana, com trechos sensíveis já redigidos para omissão) e verificação de conformidade em processos de compra pública.
Quem já está usando
O governo do estado do Missouri e o Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS) dos EUA são os primeiros adotantes citados pelo Google. "Ao automatizar trabalho rotineiro nos nossos fluxos, estamos entregando serviços mais rápidos e melhores para os moradores do Missouri", disse Tim Marczewski, representante do governo estadual. A ferramenta se conecta ao Código Eletrônico de Regulamentações Federais e ao Federal Register — sempre citando a fonte oficial para permitir checagem humana — e integra sistemas já usados pelo setor público, como Workspace, SharePoint, Outlook 365, Salesforce e ServiceNow.
Quanto custa e quem fiscaliza
Pelo acordo "OneGov" com a GSA (a agência de serviços gerais do governo americano), cada agência paga apenas US$ 0,47 pelo acesso — um desconto que expira em 15 de novembro. Ed Forst, representante da GSA, afirmou que a medida já "economizou um milhão de horas de trabalho", sem detalhar a metodologia do cálculo. Thomas Kurian, CEO do Google Cloud, disse que "colocar capacidades agentes no setor público exige padrões não negociáveis de segurança, confidencialidade e soberania de dados" — uma resposta antecipada à pergunta que qualquer cidadão deveria fazer: quem vai auditar as decisões que essa IA tomar em nome do governo, e o que acontece quando ela errar?