
Google lança Perfis na Pesquisa no Brasil e disputa espaço das redes sociais
A partir de terça-feira (27/10), criadores com 10 mil seguidores e veículos de comunicação já podem reivindicar uma página própria dentro da Busca do Google. O movimento amplia a disputa por atenção com Instagram, TikTok, YouTube e X.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
Dez mil seguidores. É esse o piso que o Google passou a exigir, a partir de terça-feira (27/10), para liberar a criadores e veículos de comunicação brasileiros um novo tipo de página dentro da própria Busca: os "Perfis na Pesquisa", espaço que centraliza publicações, vídeos e links de redes sociais sob o nome de cada marca ou criador. Na prática, o Google tenta virar ele mesmo uma vitrine de descoberta de conteúdo, competindo pela atenção hoje concentrada nas redes sociais.
O mecanismo é simples. Quem tiver pelo menos 10 mil seguidores ou inscritos em uma única plataforma — Instagram, TikTok, YouTube ou X (antigo Twitter) — e mais de 18 anos pode reivindicar seu perfil em profile.google.com/claim. Verificado, o criador personaliza biografia, foto, até oito links e oito publicações em destaque. O perfil fica acessível de três formas: pelo painel de informações ao pesquisar o nome do criador ou veículo, tocando no nome do autor no Discover (a página de recomendações do app do Google) ou por link direto compartilhável. Usuários também podem "seguir" esses perfis, aumentando a frequência com que o conteúdo aparece no feed do Discover.
O recurso chega ao Brasil depois de testado nos Estados Unidos em junho e expandido para Índia e Canadá no início de outubro. Segundo Ibrahim Badr, gerente de produto de Search no Google, a ferramenta ajuda criadores "a moldarem sua presença no Google" e permite que o público "encontre informações precisas e atualizadas sobre suas fontes na Busca" — uma forma de dizer que o Google quer ser o lugar onde essa relação de confiança acontece, não só um corredor de passagem até o Instagram ou o TikTok.
Quem ganha
Criadores e veículos de comunicação com audiência já consolidada saem na frente: ganham um canal de visibilidade direta dentro da Busca e do Discover, sem depender apenas do algoritmo de terceiros para aparecer. Para a imprensa, é uma forma de recuperar algum controle sobre a distribuição num momento em que o tráfego de buscadores para sites de notícia vem encolhendo globalmente.
Quem perde
Perde espaço o lado das redes sociais que concentravam esse relacionamento entre criador e seguidor — Instagram, TikTok, YouTube e X. Ao oferecer seguir, notificações e um hub de conteúdo dentro do próprio ecossistema Google, a empresa reduz a dependência de criadores e veículos dessas plataformas para construir audiência recorrente. É mais um capítulo da disputa por atenção: o Google já exibia conteúdo de Instagram, X e YouTube Shorts no Discover desde 2025, e agora dá um passo além, oferecendo a própria vitrine de identidade digital. Segundo o Google, a expansão para mais criadores e editores pelo mundo, com novos recursos, deve continuar nos próximos meses.