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Mercado09 de set. de 2026, 08:42

Google piora busca de viagens na Europa para cumprir lei antitruste da UE

Sob ameaça de multas diárias de até 5% do faturamento global, Google reformulou os resultados de busca de voos, hotéis e restaurantes na Europa — e admite que a experiência ficou pior. A mudança é a maior redução de qualidade em 29 anos de história da busca, segundo a empresa.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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890 milhões de euros e um prazo de 60 dias

Foi esse o placar que forçou o Google a redesenhar do zero a forma como exibe resultados de busca para voos, hotéis e restaurantes na Europa. Em 23 de julho de 2026, a Comissão Europeia aplicou duas multas ao Google — 460 milhões de euros por favorecer os próprios serviços de viagem nos resultados de busca (a chamada "auto-preferência") e mais 430 milhões de euros por restringir que desenvolvedores direcionassem usuários a ofertas mais baratas fora da Google Play Store. A Comissão deu 60 dias para a empresa se adequar, sob risco de multas periódicas de até 5% do faturamento mundial diário do grupo.

O resultado, lançado em 8 de setembro, chegou com um aviso incomum da própria empresa: piorou. "Para cumprir as exigências do DMA, estamos fazendo mudanças significativas na Busca na Europa", disse Nick Fox, vice-presidente sênior de conhecimento e informação do Google, em comunicado. "Essas mudanças degradam a experiência do usuário europeu — favorecendo intermediários on-line às custas de negócios locais, e removendo recursos úteis que as pessoas usam todos os dias." A empresa classificou o pacote como a maior redução de qualidade em seus 29 anos de história de busca.

O que muda na tela

Na nova versão europeia, buscas por voos, hotéis e restaurantes passam a exibir dois blocos separados: um dedicado a agregadores e sites de reserva de terceiros, e outro para fornecedores diretos — perdendo recursos como preço em tempo real, disponibilidade e botão de reserva direta embutido no resultado. Segundo o Google, testes internos mostraram usuários menos satisfeitos e precisando de mais buscas para encontrar um hotel. Uma rodada anterior de ajustes de conformidade já havia derrubado em 30% o tráfego de reservas diretas para hotéis e negócios locais europeus, de acordo com a empresa.

Quem ganha, quem perde

O caso tem origem em anos de queixas de comparadores de preços de viagem, que acusam o Google de ter inflado artificialmente sua própria participação no mercado: o painel de comparação de hotéis do Google passou de 37% de participação em 2013 para 80% em 2023, segundo dados citados pela Comissão Europeia. A Trivago, plataforma alemã de comparação de preços de hotéis sediada em Düsseldorf, processou o Google na Justiça alemã em maio por auto-preferência e é vista como uma das principais beneficiárias do novo formato. Kayak e Tripadvisor também fazem parte do grupo de rivais que ganham mais visibilidade nos novos blocos de resultado.

Do outro lado, o Google argumenta que quem perde é o próprio usuário europeu — e, indiretamente, hotéis e companhias aéreas que dependiam do tráfego direto gerado pelos widgets antigos. A Comissão Europeia, por sua vez, mantém abertas outras frentes de investigação contra práticas do Google consideradas anticompetitivas sob o Digital Markets Act, sinalizando que o embate está longe do fim.

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