
Google testa botão de 'fonte preferida' para tentar frear fuga de tráfego causada pela IA
Mais de 345 mil fontes já foram escolhidas como preferidas desde o lançamento em maio, segundo o Google, que agora libera o botão para publishers incorporarem em seus próprios sites e amplia o recurso para Search, Discover, Google News e AI Overviews.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
345 mil fontes já foram marcadas como preferidas — e é essa métrica que o Google usa para vender a solução aos editores
O Google liberou nesta quinta-feira (20/8) um botão interativo de “Preferred Sources” (fontes preferidas) para que editores de notícias incorporem em seus próprios sites, ampliando um recurso lançado em maio. A empresa diz que, desde então, mais de 345 mil fontes únicas já foram selecionadas por usuários na web — número que a companhia usa como prova de tração antes de empurrar a ferramenta agora diretamente para dentro dos sites de publishers.
Como funciona
Foto: reprodução/digiday.com
Com o botão, o leitor marca um veículo como favorito e passa a vê-lo destacado com mais frequência em Google Search, Discover e Google News. Também é possível adicionar fontes preferidas manualmente em google.com/preferences/source. Desde 27 de maio, essas escolhas passaram a valer também dentro de AI Overviews e AI Mode, com um selo de “preferida” aparecendo nos resultados gerados por IA. Segundo o Google, usuários têm o dobro de chance de clicar em uma fonte preferida quando ela aparece disponível.
O problema que a ferramenta tenta resolver
O pano de fundo é a crise de tráfego que a busca com IA impôs à imprensa. Levantamento da Ahrefs publicado em fevereiro mostrou que sites na primeira posição orgânica perdem até 58% dos cliques quando o Google exibe um AI Overview acima dos resultados — e outros estudos citam quedas de até 22% a 25% no tráfego geral de referência vindo do Google. A ferramenta de fonte preferida é a resposta do Google à pressão de editoras que veem os AI Overviews e o AI Mode substituir cliques por respostas prontas, mantendo o usuário dentro do próprio ecossistema Google.
Quem ganha, quem perde
Ganham, em tese, os veículos que conseguirem converter leitores fiéis em “fontes preferidas” — grandes marcas de notícia com audiência recorrente têm mais chance de acumular cliques nesse mecanismo do que sites menores ou agregadores. Também ganha o próprio Google, que transforma a queda de tráfego em oportunidade de manter o usuário mais tempo dentro de seus produtos, agora com selo de “preferido” funcionando como camada extra de engajamento. Perdem, na prática, os publishers sem base de audiência fidelizada: o botão depende de ação ativa do leitor, o que tende a concentrar ainda mais os cliques remanescentes nas marcas já dominantes — o oposto de uma redistribuição de tráfego para o mercado como um todo.