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Mercado30 de set. de 2026, 20:48

Google testa pagar editoras por conteúdo usado em respostas de IA

Piloto do Google remunera cerca de 100 publishers cujos textos alimentam AI Overviews, AI Mode e Gemini, mas o cálculo dos valores segue uma caixa-preta e recusar o pagamento não impede o uso do conteúdo.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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Cerca de 100 editoras já recebem por aparecer nas respostas de IA do Google

O número que importa aqui é 100. Esse é o total aproximado de publishers que já participam do "AI contribution pilot", programa piloto do Google que paga editoras quando seus textos contribuem significativamente para respostas geradas por inteligência artificial no AI Overviews, no AI Mode e no Gemini, segundo apuração do The Verge com base em reportagem do The Information (veículo americano especializado em jornalismo de tecnologia e negócios). O programa roda dentro do Google Search Console, ferramenta gratuita que o Google já oferece a donos de sites para monitorar desempenho de busca.

Como funciona o pagamento

Editoras convidadas passam a ver um painel extra de "AI earnings" (ganhos com IA) no próprio Search Console, mostrando quanto receberam a cada mês — mas sem detalhar quais páginas geraram o valor ou como o cálculo foi feito. Segundo publishers ouvidos pelo The Information, o sistema é uma "caixa-preta": ninguém fora do Google sabe qual fórmula define o repasse.

A disparidade nos valores é grande. Pelo menos um participante já recebeu mais de US$ 1 milhão em um ano com o programa, enquanto editoras menores relatam menos de US$ 1 mil ao longo de vários meses — para essas últimas, o valor representa menos de 0,1% da receita publicitária total. Um veículo de porte médio disse ter faturado entre US$ 50 mil e US$ 60 mil em poucos meses.

Quem ganha e quem fica de fora

O piloto tem atraído mais interesse de editoras pequenas e médias do que dos grandes grupos de mídia, e já se estendeu para além de sites de notícias. Mas há uma armadilha: recusar o pagamento não impede o Google de continuar usando o conteúdo nos recursos de IA — o opt-out tira a editora do programa de remuneração, não da extração de dados. Quem fica de fora do piloto, seja por não ser convidado ou por recusar, não ganha nada e ainda tem seu conteúdo usado normalmente nas respostas de IA.

O pano de fundo: queda de tráfego

O piloto surge em meio a críticas crescentes sobre o efeito da IA no tráfego de sites de notícias, já que respostas prontas no topo da busca reduzem a necessidade de clicar em links originais. Um estudo do Pew Research Center (instituto de pesquisa americano) citado nas apurações mostrou que apenas 1% dos usuários clicam nos links de fonte dentro do AI Overviews. O Google descreve o piloto como um "teste em estágio inicial" para entender como recompensar conteúdo de qualidade, além do tráfego e das ferramentas que já disponibiliza às editoras.


Atualização (30/09, 18:51): O programa piloto do Google para pagar editoras por conteúdo usado em respostas de IA está gerando decepção. Segundo reportagem da The Information, replicada pela Ars Technica, o Google está pagando cerca de 100 sites, mas para muitos deles o valor representa menos de um décimo de 1% (0,1%) da receita publicitária total — uma fração considerada irrisória pelos próprios participantes.

Os valores variam enormemente entre os sites: alguns pequenos e médios receberam menos de US$ 1.000 ao longo de vários meses, um participante mais recente relatou ganhos de US$ 50 mil a US$ 60 mil por ano, enquanto apenas um participante inicial do programa teria ultrapassado US$ 1 milhão anual. Editoras reclamam ainda de falta de transparência: não sabem como os valores são calculados, e os pagamentos oscilam de mês a mês sem explicação.

Outro ponto de atrito é que recusar o pagamento não impede que o conteúdo continue sendo usado nos AI Overviews, no AI Mode ou no Gemini — por isso, algumas editoras maiores têm optado por não aderir ao programa, na esperança de pressionar o Google a negociar valores mais altos no futuro.

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