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IACiência26 de set. de 2026, 16:40

Google vai testar chips de IA no espaço com o Project Suncatcher

A empresa lança um satélite protótipo com seus processadores TPU em órbita para avaliar se data centers de inteligência artificial poderiam um dia funcionar fora da Terra. O projeto ainda está em fase experimental e distante de qualquer aplicação comercial.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana

Pra escala humana: imagine tirar um data center inteiro — as máquinas que treinam modelos como o Gemini — e mandar pra órbita, a centenas de quilômetros da superfície, dependendo só de luz solar pra funcionar. É essa a aposta por trás do Project Suncatcher, iniciativa de pesquisa do Google que testa se a infraestrutura de inteligência artificial pode, um dia, sair da Terra.

O que já é confirmado

O Google vai lançar um satélite protótipo carregando suas TPUs (Tensor Processing Units, os chips proprietários que a empresa usa para treinar e rodar modelos de IA) rumo à órbita baixa da Terra. A missão embarca no foguete Transporter-18, da SpaceX, em parceria com a empresa de imageamento por satélite Planet Labs.

O objetivo confirmado é técnico e modesto: verificar se os chips sobrevivem às forças do lançamento, à radiação espacial e às temperaturas extremas do espaço, além de testar um sistema de resfriamento que combina heat pipes e radiadores — necessário porque no vácuo não existe ar para dissipar o calor gerado pelos processadores. Antes do lançamento, o Google já havia testado os mesmos chips rodando cargas de IA em um laboratório da Universidade da Califórnia em Davis (UC Davis), mas a validação em órbita real era o passo que faltava.

O que ainda é hipótese

Aqui a reportagem original, do New York Times, e a cobertura do The Verge são claras ao separar o teste concreto da visão de longo prazo. A ideia mais ambiciosa — e ainda especulativa — é a de constelações com dezenas de satélites equipados com TPU, voando em conjunto e conectados por links ópticos de altíssima velocidade, formando uma espécie de data center orbital coletivo. Documentos de pesquisa do próprio Google mencionam arranjos com cerca de 80 satélites em órbita baixa, na faixa de 640 km de altitude, aproveitando painéis solares que no espaço podem ser várias vezes mais eficientes do que na Terra.

Mas essa versão completa do projeto é tratada pela própria empresa como uma aposta de longuíssimo prazo, com horizonte para meados da década de 2030 — e não há garantia de que vá se concretizar. Especialistas ouvidos pela imprensa internacional reforçam que o conceito ainda esbarra em custos de lançamento elevados, limitações de engenharia (como controle preciso de posição de satélites em formação) e gargalos na produção em escala desses equipamentos.

Por que importa

O pano de fundo é a corrida por energia: treinar e operar modelos de IA cada vez maiores consome uma quantidade de eletricidade que já esbarra em limites das redes terrestres. Se a ideia do Google se provar viável, ela indicaria uma resposta radical a esse gargalo — mas, por enquanto, o que existe é um satélite de teste, não um data center funcionando fora da Terra.


Atualização (24/09, 15:41): O Google confirmou que o lançamento do satélite-protótipo do Project Suncatcher está previsto para 1º de outubro, a bordo de um foguete Falcon 9, da SpaceX, na missão compartilhada Transporter-18. O equipamento, batizado de MVP e construído em parceria com a Planet Labs, vai testar em órbita como os chips de IA do Google se comportam diante da radiação espacial, das variações extremas de temperatura e das vibrações do próprio lançamento.

Segundo o Google, a missão também vai validar o sistema de resfriamento desenvolvido para os chips, que combina material de interface térmica, alumínio e cobre para dissipar o calor até um painel radiador. A empresa ressalta que este teste inicial tem como foco coletar dados em órbita e identificar possíveis pontos de falha, não demonstrar um data center orbital totalmente operacional.

O satélite faz parte do Project Suncatcher, iniciativa do Google que estuda a viabilidade de colocar infraestrutura de computação para treinar modelos de IA no espaço, aproveitando a luz solar quase contínua em órbita baixa da Terra. A empresa já planeja o lançamento de mais dois satélites em 2027 para testar conexões a laser de alta capacidade entre os equipamentos.


Atualização (25/09, 01:03): O primeiro teste orbital do Project Suncatcher, projeto do Google para colocar chips de inteligência artificial em órbita, tem data marcada: 1º de outubro. O lançamento será feito por um foguete Falcon 9 da SpaceX, como parte da missão compartilhada Transporter-18, a partir da base de Vandenberg, na Califórnia.

A bordo vão quatro TPUs Trillium, a geração mais recente dos chips de IA do próprio Google, integrados a um satélite apelidado internamente de MVP (sigla em inglês para produto minimamente viável), do tamanho aproximado de uma geladeira. A plataforma do satélite foi desenvolvida em parceria com a Planet Labs, empresa normalmente associada a satélites de imageamento da superfície terrestre. Pela limitação térmica do equipamento, os TPUs só conseguem operar por cerca de 15 minutos por vez antes de precisarem ser desligados.

O satélite vai orbitar a Terra a cerca de 650 km de altitude, em órbita heliossíncrona. Segundo o Google, o objetivo do teste é verificar se os chips sobrevivem às vibrações do lançamento, à radiação espacial e aos extremos térmicos da órbita — os componentes já foram testados em terra com radiação equivalente a cinco anos de missão espacial. A empresa planeja lançar dois satélites adicionais em 2027 para testar comunicação a laser entre eles, passo considerado necessário para viabilizar clusters de TPUs no espaço.

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