
Googlebook: o laptop com Android da Google tem hardware bom e software capenga
Sucessor do Chromebook, o Googlebook roda um sistema baseado em Android com IA Gemini embutida — mas conectar o celular, espelhar apps e compartilhar arquivos ainda travam na prática.
Por Bruno Vilela · Repórter de Gadgets
A categoria que devia substituir o Chromebook
A Google lançou o Googlebook, uma nova categoria de notebooks premium que roda uma versão do Android batizada internamente de Aluminium OS, reconstruída para funcionar como sistema de desktop, com gerenciador de janelas próprio e a IA Gemini integrada ao sistema — não como mais um aplicativo instalado por cima. A ideia é posicionar o Googlebook como sucessor do Chromebook, a linha de notebooks baratos com ChromeOS que a empresa vende há mais de uma década.
A Google não fabrica os aparelhos diretamente: os primeiros cinco modelos vieram de parceiras como Acer, Asus, Dell, HP e Lenovo, com preços a partir de US$ 899. Chegaram às lojas dos Estados Unidos em 4 de outubro, e a Canadá, Reino Unido, Irlanda, França, Alemanha e Austrália no dia seguinte — sem data definida para o Brasil.
Hardware bom, mas o Android ainda tropeça no notebook
Segundo o review do The Verge, o hardware dos cinco Googlebooks varia de bom a excelente — telas OLED, chips da Intel, Qualcomm e, futuramente, MediaTek. O problema está na camada de software: a conexão com o celular é instável, o recurso de espelhar (cast) aplicativos do Android na tela do notebook é desajeitado, e o compartilhamento de arquivos simplesmente não funciona direito na maior parte do tempo.
O motivo é estrutural: aplicativos como Chrome, Slack, Photoshop e Lightroom no Googlebook continuam sendo, no fundo, apps de Android — não programas pensados para rodar em tela grande com mouse e teclado, e por isso ficam devendo diante das versões de desktop tradicionais.
O que o Googlebook traz de novo
Entre os recursos de destaque está o Magic Pointer, um cursor que vira atalho contextual de IA — por exemplo, apontar para uma data num e-mail e criar um compromisso na agenda automaticamente, construído em parceria com o time de DeepMind da Google. Há também o "glowbar", uma barra de luz multicolorida que indica nível de bateria e reage a notificações e ao uso do Gemini.
Vale o preço no Brasil?
Com preço de entrada de US$ 899 — que somado a impostos de importação ficaria bem mais salgado por aqui — o Googlebook ainda não convence nem os EUA, onde o próprio The Verge diz que não compraria um "do jeito que está agora". A ideia de levar o Android para o notebook é interessante, mas a execução ainda não está à altura do conceito. Até a Google resolver as arestas de software, Chromebook segue sendo a aposta mais segura, e o brasileiro que já sofre com o dólar não tem motivo pra correr atrás desse primeiro lote.