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MercadoGadgets06 de set. de 2026, 12:42

GoPro é vendida por US$ 285 milhões, mas CEO promete manter câmeras

Após aceitar proposta de aquisição da Starman Optical, o fundador da GoPro, Nick Woodman, escreveu carta a clientes garantindo que fabricar câmeras continua sendo o "DNA" da empresa. O texto, porém, evita citar produtos ou prazos concretos.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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US$ 285 milhões pela GoPro

A GoPro concordou em ser adquirida pela Starman Optical por US$ 285 milhões, o equivalente a US$ 1,14 por ação. A Starman é uma empresa recém-criada (incorporada em 31 de agosto de 2026) ligada ao grupo Starman Holding — o mesmo conglomerado por trás de marcas de acessórios como Incase, Incipio e Griffin — e atua no desenvolvimento de transpositores ópticos e tecnologias fotônicas. O acordo também elimina uma dívida de US$ 92 milhões que pesava sobre a fabricante das câmeras de ação, e os atuais acionistas da GoPro ficarão com cerca de 10% da empresa combinada.

A carta do fundador

Diante da desconfiança de clientes sobre o futuro da marca, o fundador e CEO Nick Woodman publicou uma carta aberta reafirmando o compromisso com o produto que tornou a GoPro conhecida. "Fazer câmeras incríveis para todos vocês é nosso DNA e nossa razão de existir", escreveu, completando que "é para o que fomos fundados e é o que sempre faremos".

Woodman também citou o histórico de inovação da empresa — mais de 2.500 patentes acumuladas ao longo dos últimos 24 anos — e afirmou que a nova estrutura financeira deve ajudar a companhia a avançar, dizendo que, graças à força financeira que a fusão vai proporcionar, a GoPro estará em posição muito melhor para inovar e avançar o futuro da criação de conteúdo de consumo e profissional. Sobre a compradora, disse que a Starman compartilha a paixão da GoPro pela marca, por produtos líderes de mercado e pelo compromisso com seus usuários, prometendo mais câmeras inovadoras, acessórios mais inteligentes e software e serviços mais poderosos — sem citar modelos ou datas.

Quem ganha e quem perde

A operação resolve o problema mais urgente da GoPro: a ameaça de insolvência. Em junho, a empresa já havia alertado acionistas sobre risco financeiro, e o próprio Woodman injetou US$ 20 milhões do próprio bolso em julho para manter as operações de pé. Com a fusão, a companhia livra-se da dívida e ganha músculo para tentar disputar espaço com DJI e Insta360, rivais que vêm corroendo sua fatia de mercado em câmeras de ação.

O lado que sai fortalecido é o da Starman, que passa a controlar uma marca de consumo global e sinaliza interesse em expandir para os mercados de defesa e infraestrutura de IA — áreas de maior margem que câmeras esportivas. Já os consumidores da GoPro ficam, por ora, com garantias verbais: a carta de Woodman reafirma intenções, mas não assume compromissos concretos de lançamento, o que mantém no ar a dúvida sobre o ritmo de investimento em produtos de consumo daqui para frente. O fechamento do negócio ainda depende de aprovações regulatórias e é esperado até o fim do ano.

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