
GoPro fecha fusão de US$ 285 mi com a Starman Optical e mira defesa
Em crise financeira, a GoPro aceitou ser comprada pela Starman Optical em acordo de US$ 285 milhões que quita dívidas e redireciona a fabricante de câmeras para os mercados de defesa, governo e infraestrutura de IA.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 285 milhões pelo controle da GoPro
A Starman Optical, companhia americana especializada em óptica e fotônica que fabrica transceptores ópticos para data centers de inteligência artificial, fechou acordo definitivo para comprar a GoPro por US$ 285 milhões em dinheiro, equivalentes a US$ 1,14 por ação. Pelos termos do negócio, os atuais acionistas da fabricante de câmeras de ação ficarão com cerca de 10% da empresa combinada, enquanto os US$ 92 milhões em dívidas da GoPro serão quitados integralmente na conclusão da operação, prevista para o fim de 2026.
Uma empresa à beira do precipício
Foto: reprodução/petapixel.com
O acordo chega no momento mais delicado da história da GoPro. A companhia via sua receita despencar e as vendas de câmeras recuarem, cenário que já havia motivado plano de corte de pessoal e até um empréstimo pessoal do fundador e CEO Nicholas Woodman para socorrer o caixa. O mercado reagiu de forma eufórica ao anúncio: as ações, que negociavam abaixo de US$ 0,60 uma semana antes, dispararam para picos acima de US$ 1,50 depois da fusão ser divulgada — um respiro raro para uma marca que via seu valor de mercado evaporar.
Quem ganha e quem perde
A Starman Optical sai como controladora e principal beneficiária estratégica: ganha acesso ao portfólio de mais de 2.500 patentes da GoPro em óptica e imagem, acumuladas em 24 anos de fabricação de câmeras, para reforçar sua posição no mercado de transceptores ópticos que sustentam data centers de IA. O CEO da Starman, Charles Tebele, resumiu a lógica do negócio afirmando que óptica e imagem avançadas são essenciais para IA, segurança nacional e a economia em geral.
Já a GoPro perde autonomia — os fundadores e acionistas históricos ficam diluídos a uma fatia minoritária — mas evita um colapso financeiro e ganha sobrevida ao migrar parte do negócio para defesa, governo, robótica e aeroespacial, mercados considerados estratégicos nos Estados Unidos. A aposta é que a fabricação doméstica de componentes ópticos críticos, hoje concentrada em poucos players, torne a marca relevante além do nicho de câmeras de ação, ainda que o futuro da linha de consumo dependa de como a nova gestão vai equilibrar os dois negócios.
O negócio ainda depende da aprovação dos acionistas e de autoridades regulatórias americanas antes de ser finalizado.