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Ciência23 de out. de 2026, 09:34

Gotas de tinta em movimento vencem o concurso de fotomicrografia da Nikon

O alemão Ole Bielfeldt venceu a 52ª edição do Nikon Small World ao fotografar, com uma impressora desmontada e um objetivo de microscópio, o instante exato em que gotas de tinta tocam o papel.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana

A gota de tinta que sai de uma impressora jato de tinta mede frações de milímetro e atinge o papel em uma fração de segundo — rápido e pequeno demais para o olho humano perceber qualquer detalhe. Foi exatamente esse instante invisível no dia a dia que rendeu o primeiro lugar do concurso de fotomicrografia mais tradicional do mundo.

O que foi confirmado

A Nikon, fabricante japonesa de equipamentos óticos e fotográficos, anunciou em 21 de outubro os vencedores da 52ª edição do Nikon Small World, concurso dedicado a fotografias feitas através de microscópio. O vencedor foi o alemão Ole Bielfeldt, fotógrafo experimental baseado em Colônia, que capturou gotas de tinta em suspensão no momento em que uma impressora as deposita sobre o papel. Para conseguir a imagem, ele montou um equipamento próprio combinando uma objetiva de microscópio com um cabeçote de impressora desmontado, mantendo o papel em movimento sob o bico fixo de impressão. Segundo o fotógrafo, a motivação foi entender como as impressoras jato de tinta conseguem depositar tinta com tanta precisão.

O concurso recebeu mais de 1.800 inscrições de 69 países em 2026, avaliadas por critérios como originalidade, conteúdo informacional, proficiência técnica e impacto visual — imagens geradas por inteligência artificial são vetadas pelas regras. Eric Flem, gerente de comunicações da Nikon Instruments, disse que a foto vencedora simboliza o que torna o Nikon Small World tão poderoso: a interseção entre imageamento por microscópio, engenhosidade e capacidade artística. O segundo lugar ficou com John-Oliver Dum, por uma aranha saltadora coberta de grãos de pólen dourado capturada por empilhamento de imagens (image stacking); o terceiro foi de Kaelin Wulf e Rachel Flannery, do Allen Institute — instituto de pesquisa biomédica sem fins lucrativos dos Estados Unidos —, com neurônios de um cérebro de camundongo expandido, usando técnicas de microscopia de expansão e de folha de luz (light-sheet microscopy).

O que é hipótese

Não há, aqui, propriamente uma hipótese em aberto: os resultados do concurso já foram divulgados oficialmente pela organização e confirmados por veículos internacionais que tiveram acesso às imagens e às declarações dos vencedores. O único ponto que vale o registro é que a classificação de melhor imagem reflete o critério de um júri específico — originalidade, técnica e impacto visual —, não um recorte científico sobre qual fenômeno microscópico é mais relevante.

Por que importa

O Nikon Small World é, há mais de cinco décadas, uma vitrine para mostrar ao público leigo fenômenos que normalmente ficam restritos a laboratórios — da física de um jato de tinta à estrutura de um cérebro. Prêmios assim ajudam a popularizar técnicas de imageamento que depois migram para aplicações industriais e médicas, caso da própria microscopia de expansão usada pela dupla do Allen Institute.

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