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Smart CitiesMercado16 de out. de 2026, 10:17

Governo dos EUA quer dar mais dinheiro a transporte em áreas com mais casamentos e filhos

Proposta do Departamento de Transportes americano prevê bônus de financiamento para projetos de trânsito em regiões com taxas de natalidade e casamento acima da média nacional. Senadora democrata chama a ideia de "estranha e distópica".

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

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Um bônus de até 5% para quem casa e tem filhos mais que a média

O Departamento de Transportes dos Estados Unidos (DOT, na sigla em inglês), chefiado pelo secretário Sean Duffy, propôs mudar as regras do Capital Investment Grants, programa federal que financia grandes obras de trem e ônibus administrado pela Federal Transit Administration. Pela proposta, publicada em 1º de outubro no Federal Register, o diário oficial do governo americano, regiões com taxas de casamento ou de natalidade iguais ou acima da média nacional poderiam receber um acréscimo de até 5 pontos percentuais na participação federal sobre o custo total de cada projeto — passando de 1% para até 5%, conforme o indicador.

A medida reflete uma diretriz que Duffy já havia dado em 2025, determinando que, dentro do permitido por lei, as políticas do DOT dessem preferência a comunidades com taxas de casamento e natalidade superiores à média nacional — parte de um esforço mais amplo do governo americano para redirecionar gastos federais, que já incluiu cortes em transporte de massa, ciclovias e infraestrutura de veículos elétricos.

"Estranha e distópica"

A senadora democrata Patty Murray, do estado de Washington, classificou a proposta como "estranha e distópica" em declaração ao Smart Cities Dive, site americano especializado em cidades inteligentes. Segundo ela, a mudança de regra pode desorganizar cerca de 40 projetos que já estão no programa CIG, forçando novas avaliações, revisão de estudos ambientais e aumento de custos para prefeituras e estados que já tinham planejamento em andamento.

Uma pesquisa do Urban Institute, instituto de pesquisa americano focado em políticas públicas e economia urbana, reforça a crítica: moradores de áreas com taxas altas de casamento e natalidade são, segundo o estudo, muito mais propensos a serem brancos — o que, na prática, faria o critério demográfico favorecer desproporcionalmente comunidades brancas.

O que vem a seguir

O período de comentários públicos sobre a proposta está aberto até 16 de novembro. O DOT não divulgou, até agora, os valores totais em jogo no programa CIG nem uma lista completa dos projetos que seriam afetados. Fica a pergunta óbvia para qualquer cidadão que dependa de uma nova linha de metrô ou corredor de ônibus: o critério que vai decidir se a obra sai do papel é a necessidade de mobilidade da população — ou a taxa de natalidade do bairro?

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