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Smart Cities16 de out. de 2026, 10:20

Governo quer levar internet a 72 mil km de rodovias brasileiras até 2030

Ministério das Comunicações lançou política que obriga operadoras a compartilhar sinal entre si para cobrir mais que o dobro da malha federal atual. Sem compensação financeira prevista para as empresas, a dúvida é quem vai pagar a conta.

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

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O plano: dobrar a cobertura de internet nas estradas federais

O Ministério das Comunicações lançou, em 15 de outubro, durante o evento Wireless Mundi 2026, em São Paulo, a Política Nacional de Conectividade para Rodovias, que pretende levar sinal de telefonia e internet móvel a 72,3 mil quilômetros de estradas federais e estaduais até 2030. O ministro Frederico Siqueira Filho afirmou que a pasta está reorganizando instrumentos regulatórios, tecnológicos e financeiros para garantir internet ao longo de praticamente toda a malha rodoviária nacional.

Hoje, a cobertura das rodovias federais chega a 27,2 mil quilômetros. A meta é mais que dobrar esse número, levando o sinal a 57,1 mil quilômetros — cerca de 77% da malha federal — somados a outros trechos estaduais que completam os 72,3 mil quilômetros totais. Segundo o cronograma apresentado, 16 mil quilômetros de vias federais devem ganhar sinal já em 2027, antes da meta final de 2030.

Foto: reprodução/infomoney.com.br

Como vai funcionar: compartilhamento de rede entre operadoras

O mecanismo central da política obriga as operadoras de telefonia a compartilharem suas redes entre si nas rodovias. Na prática, um cliente de uma operadora poderá se conectar ao sinal de uma concorrente nos trechos em que a sua própria operadora não tiver cobertura — sem que o governo preveja qualquer compensação financeira direta entre as empresas.

Seis rodovias federais foram definidas como prioritárias para cobertura integral: BR-101 (trecho de 4,8 mil km que liga o Nordeste ao Sul do país), BR-116, BR-135, BR-163, BR-242 e BR-364. Parte da meta de 72,3 mil km já estava garantida por compromissos anteriores, como os 6,4 mil km previstos no leilão da faixa de 700 MHz, 4,3 mil km de contrapartida da Claro e 1,3 mil km vinculados a futuras concessões de rodovias.

O que o governo promete — e o que ainda não disse

Entre os benefícios anunciados estão chamadas de emergência mais confiáveis, pedágio em free flow (sem cancela), pesagem de caminhões sem parada e serviços digitais de apoio ao agronegócio e à logística. O que o Ministério não detalhou foi o valor total do investimento nem quem vai arcar com os custos de expansão de antenas além da obrigação de compartilhamento. Para o motorista que hoje perde sinal de celular em trechos de rodovia, a pergunta prática é: se as operadoras não recebem nada a mais pelo compartilhamento, qual o incentivo real para investir além do mínimo exigido — e quem vai fiscalizar se a meta de 2030 está sendo cumprida no ritmo prometido?

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