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Mercado08 de ago. de 2026, 01:37

Governo Trump já gastou US$ 3,9 bi para cancelar parques eólicos offshore

Acordo mais recente com a alemã RWE custará US$ 1,2 bilhão aos contribuintes americanos e encerra projetos eólicos em Nova York, Califórnia e Louisiana. É a quinta negociação do tipo, somando quase US$ 4 bilhões em compensações a desenvolvedoras.

Por Redação tech & talk · Curadoria assistida por IA, revisão humana

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Cinco acordos, quase US$ 4 bilhões

O governo de Donald Trump já comprometeu mais de US$ 3,9 bilhões em pagamentos a desenvolvedoras de energia eólica offshore para que elas abandonem 12 concessões de parques eólicos nos Estados Unidos. O montante é resultado de cinco acordos fechados até agora pelo Departamento do Interior americano, em uma estratégia que busca frear a expansão da energia eólica em favor de combustíveis fósseis.

O negócio mais recente e mais caro da série foi fechado com a alemã RWE, que vai receber US$ 1,2 bilhão para desistir de projetos eólicos nas costas de Nova York, Califórnia e Louisiana. Apenas o empreendimento planejado para Nova York, no chamado New York Bight, tinha capacidade para gerar mais de 3 gigawatts de energia — a RWE havia pago US$ 1,1 bilhão por essa concessão em 2022.

Para onde vai o dinheiro

Do total pago à RWE, US$ 900 milhões serão destinados à participação da empresa em um terminal de gás natural liquefeito (GNL) na Louisiana, e outros US$ 300 milhões irão para a reserva de turbinas a gás natural que abastecerão 15 usinas de pico ("peaker plants") nos Estados Unidos — instalações que, segundo reportagem do TechCrunch, estão entre as mais caras e mais poluentes de se operar dentro do próprio setor de gás natural.

Antes da RWE, o governo já havia fechado acordos semelhantes com TotalEnergies, Duke Energy e a joint venture Ocean Winds (formada por EDP Renewables e Engie), entre outras desenvolvedoras, para encerrar concessões eólicas em diferentes trechos do litoral americano.

Contradição global e disputa judicial

O caso da RWE expõe uma contradição na política energética: apesar de recuar do mercado americano, a empresa alemã não está abandonando a energia eólica em outros países. Pouco tempo depois de aceitar o acordo nos EUA, a companhia arrematou 6,9 gigawatts em capacidade eólica em um leilão realizado no Reino Unido.

Os acordos também enfrentam resistência política e jurídica. Uma coalizão de sete estados americanos, incluindo Nova York e Massachusetts, entrou com ações judiciais para tentar bloquear as negociações entre o governo federal e as desenvolvedoras. A Califórnia também notificou a intenção de processar o governo por conta de dois acordos anteriores que afetam a costa do estado.

O que está em jogo

A estratégia da Casa Branca marca uma reversão em relação à política energética do governo anterior, que havia impulsionado leilões de concessões offshore como parte da transição para energias renováveis. Com o cancelamento de 12 concessões e quase US$ 4 bilhões em compensações pagas com dinheiro público, o embate entre a Casa Branca, estados costeiros e desenvolvedoras de energia deve continuar nos tribunais nos próximos meses.

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