tech & talk
Mercado12 de ago. de 2026, 23:46

Governo Trump ordena que Kalshi continue operando e ignora lei de jogos de NY

A CFTC, reguladora federal, invocou poderes de emergência para manter a Kalshi funcionando em Nova York, driblando um processo estadual que pede pelo menos US$ 36 bilhões e alega que a plataforma opera apostas ilegais.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

Compartilhar

US$ 36 bilhões em disputa

É esse o valor que o estado de Nova York pede da Kalshi em uma ação movida pela procuradora-geral Letitia James, que classifica a plataforma de mercados de previsão como uma "operação de apostas ilegal e sem licença". Em resposta, a Commodity Futures Trading Commission (CFTC), reguladora federal de derivativos dos Estados Unidos, usou poderes de emergência em 11 de agosto para ordenar que a Kalshi continue operando no estado, ignorando na prática a determinação de Nova York.

A CFTC alega que a ação estadual criou uma "emergência de mercado": segundo a agência, um fechamento abrupto da Kalshi forçaria a liquidação de posições em aberto e deixaria clientes expostos a riscos não planejados. É um movimento incomum — a CFTC raramente usa esse tipo de autoridade emergencial para se sobrepor a uma corte estadual, e a decisão marca uma escalada real no confronto entre reguladores federais e estaduais pelo controle de um mercado que já movimenta bilhões de dólares.

Uma queda de braço que já dura semanas

O caso não começou agora. Em 4 de agosto, o juiz Jed Rakoff, da Corte Distrital do Distrito Sul de Nova York, já havia negado um pedido anterior da CFTC para bloquear a ação de Nova York contra a Kalshi, permitindo que o processo estadual seguisse — mas deixando margem para a agência buscar nova medida de emergência, o que ela fez uma semana depois. Nova York não está sozinha: a CFTC já contestou ações regulatórias parecidas em pelo menos nove estados, com casos também no Arizona, onde a Kalshi chegou a ser alvo de acusações criminais, e em Michigan.

Quem ganha e quem perde

O cerne da disputa é jurisdicional: CFTC e Kalshi argumentam que contratos negociados em bolsas reguladas federalmente estão sob autoridade exclusiva da agência federal, o que impediria qualquer ação estadual. Nova York contra-argumenta que a maior parte do volume negociado na Kalshi é, na prática, aposta esportiva — atividade que estados têm poder histórico de regular, e que nada tem a ver com os contratos futuros e de commodities que a CFTC supervisiona. Enquanto a batalha legal não termina, a Kalshi sai ganhando: consegue manter operações rodando e sinaliza a outras plataformas de apostas e mercados de previsão que o governo Trump está dispostos a usar seu aparato regulatório para blindar o setor. Os estados, por ora, perdem terreno — e Nova York corre o risco de ver uma ação bilionária esvaziada antes mesmo de avançar.

kalshicftcmercados de previsãoregulaçãonova york
Compartilhar