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Ciência22 de set. de 2026, 09:54

Governo Trump quer dar a Vought poder de veto sobre verbas do NIH

Casa Branca redige ordem executiva para criar comitê que poderia barrar bolsas de pesquisa científica do NIH por motivos políticos. Diretor da agência, Jay Bhattacharya, resiste à medida.

Por Marcos Silva · Repórter de plantão

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A Casa Branca está redigindo uma ordem executiva para criar um comitê com poder de veto sobre bolsas de pesquisa do NIH (National Institutes of Health), a agência federal de saúde dos Estados Unidos responsável por financiar estudos sobre câncer, doenças cardíacas e doenças infecciosas. A informação foi divulgada em 21 de setembro de 2026 pela Ars Technica, com base em reportagens do Washington Post, Politico e New York Times publicadas entre os dias 18 e 20 daquele mês.

O que está em jogo

O presidente Donald Trump determinou que Russell Vought, diretor do Escritório de Administração e Orçamento (OMB) da Casa Branca, redigisse a ordem. O texto prevê um comitê externo formado por indicados políticos, incluindo o próprio Vought e o diretor do NIH, Jay Bhattacharya.

Pelas regras propostas, as decisões sobre financiar ou não um projeto precisariam ser unânimes. Na prática, isso significa que qualquer integrante do comitê poderia barrar uma bolsa científica, sem obrigação de justificar tecnicamente a recusa.

Diretor do NIH resiste

Bhattacharya, economista formado em Stanford, tem resistido aos esforços de Vought para ampliar o controle político sobre as concessões do NIH, agência de orçamento de US$ 48 bilhões que distribui a maior parte de seus recursos a laboratórios de pesquisa em todo o país.

Segundo a Politico, em reunião na sexta-feira anterior à publicação, Trump pediu diretamente a Bhattacharya que cortasse o financiamento destinado a Harvard. O diretor do NIH recusou o pedido.

Histórico de atritos

Vought já havia bloqueado bolsas do NIH ao longo de 2025, movimento revertido após pressão de senadores republicanos. Em agosto de 2026, o Congresso incluiu no projeto de financiamento provisório uma cláusula que bloqueava temporariamente a atribuição de controle político sobre concessões federais de saúde a indicados do governo.

A nova ordem executiva é vista como uma tentativa de contornar essa restrição legislativa. O plano gerou rejeição bipartidária no Congresso e motivou uma ação judicial movida pela ACLU, que alega censura inconstitucional à pesquisa científica.

Procurados pela imprensa americana, OMB e NIH não confirmaram publicamente o conteúdo final da ordem executiva, que ainda não foi assinada por Trump.

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