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Mercado13 de out. de 2026, 01:26

Governo Trump suspende Microsoft e outras gigantes de TI de programa de green card

Vice-presidente JD Vance acusou a Microsoft de "abusar" do sistema de vistos ao anunciar a suspensão da empresa e de outras seis companhias do programa de certificação de trabalho permanente nos EUA.

Por Marcos Silva · Repórter de plantão

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Suspensão em massa

O governo Trump suspendeu a Microsoft e outras seis empresas de tecnologia do programa de Certificação de Trabalho Permanente (PERM), que permite a empregadores contratar trabalhadores estrangeiros com pedido de residência permanente nos EUA. A medida foi anunciada pelo vice-presidente JD Vance em conferência de imprensa sobre fraude em vistos.

Além da Microsoft, foram suspensas a Adobe; a Capgemini, consultoria francesa de TI com operações em dezenas de países; a Cognizant, empresa de serviços de tecnologia fundada nos EUA mas com grande parte da força de trabalho na Índia; a HCL, companhia indiana de terceirização de TI e consultoria; a Infosys, gigante indiana de terceirização de TI; a Tata, braço de serviços de tecnologia do conglomerado indiano Tata Group; e a Wipro, outra grande terceirizadora de TI sediada na Índia.

Foto: reprodução/theverge.com

"Abusou do sistema"

Segundo a Associated Press e a Fox Business, Vance declarou que "não houve empresa nos Estados Unidos que tenha abusado do sistema mais do que a Microsoft". Ele afirmou que a companhia demitiu 6 mil trabalhadores americanos no último ano enquanto se beneficiava de 6.300 vistos H-1B e quase 3 mil green cards, chamando o esquema de "escandaloso". Vance chegou a dizer que, "para cada trabalhador que a Microsoft demitiu, ela o substituiu por um e meio servo estrangeiro contratado".

O Departamento do Trabalho, segundo o secretário Keith Sonderling, informou que não aceitará novas solicitações de certificação de trabalho nem dará andamento a pedidos pendentes dessas empresas, citando investigações federais em curso sobre fraude.

Foto: reprodução/foxbusiness.com

Resposta da Microsoft

A Microsoft rebateu afirmando que a "grande maioria" dos seus funcionários nos EUA é formada por americanos e que 80% das 6 mil solicitações de H-1B feitas no último ano fiscal eram, na verdade, pedidos de extensão de status para funcionários que já trabalhavam na empresa — não novas contratações.

Peso do programa H-1B

O programa de certificação de trabalho é a etapa que antecede o pedido de green card para profissionais qualificados, geralmente vinculada a vistos de trabalho como o H-1B, usado para posições especializadas que as empresas alegam não conseguir preencher com mão de obra americana. Cerca de 75% dos vistos aprovados nessa categoria vão para trabalhadores da Índia, o que explica por que a maioria das empresas suspensas são companhias indianas ou com forte presença de mão de obra indiana nos EUA.

A suspensão se soma a outras medidas do governo Trump contra o uso de vistos de trabalho por empresas de tecnologia, incluindo investigações anunciadas por Vance sobre supostas fraudes no visto J-1 em universidades como Harvard, Yale, Stanford e MIT.


Atualização (09/10, 04:07): ## Atualização

O Departamento do Trabalho dos EUA confirmou que a suspensão atinge especificamente o PERM (Permanent Labor Certification Program), etapa inicial para empresas patrocinarem green card de funcionários estrangeiros. O secretário do Trabalho, Keith Sonderling, disse que o órgão não vai aceitar novos pedidos da Microsoft e da Adobe nem analisar os que já estão pendentes, citando "múltiplas investigações federais ativas" contra as duas empresas. Além de Microsoft e Adobe, foram suspensas as prestadoras de serviços de TI Cognizant, Infosys, Tata Consultancy Services (TCS), Wipro, HCL Technologies e Capgemini.

A medida não cancela vistos H-1B já concedidos: funcionários dessas empresas podem continuar trabalhando normalmente com o visto atual enquanto a suspensão do PERM estiver em vigor. O vice-presidente JD Vance apontou suspeita de fraude, afirmando que a Microsoft demitiu cerca de 6 mil trabalhadores americanos no último ano ao mesmo tempo em que obteve 6.300 vistos H-1B e quase 3 mil green cards para estrangeiros — indício, segundo ele, de que a empresa usaria o programa para substituir mão de obra americana por estrangeiros mais baratos.

Em resposta, a Microsoft afirmou que paga a funcionários com H-1B "o mesmo que qualquer outro funcionário fazendo trabalho comparável", que esses salários estão entre os mais altos do setor e que a grande maioria de seus empregados nos EUA é formada por americanos. A empresa não comentou diretamente a suspensão, mas disse que pretende fornecer informações adicionais ao governo.

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