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Mercado31 de ago. de 2026, 20:57

Grindr testa assinatura de US$ 350 e aposta em IA para virar 'app de tudo'

CEO George Arison quer usar IA, um plano premium de até US$ 350 por mês e serviços de saúde para turbinar a receita da Grindr e encerrar o 'desconto' que o mercado aplica à empresa.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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A conta que sustenta a aposta em IA

A Grindr saiu de uma receita de US$ 195 milhões em 2022 para uma projeção acima de US$ 540 milhões em 2026. O crescimento é a base do discurso do CEO George Arison: ele quer provar que o mercado aplica um "desconto Grindr" injusto à ação da empresa só por ser um app voltado ao público gay. Um investidor citado pela TechCrunch chegou a modelar esse desconto em 25% sobre o valuation da companhia.

Equipe menor, 80% do código feito por IA

Arison assumiu o comando em 2022, quando diz que a empresa estava "à deriva". Desde então, cortou o quadro de cerca de 300 para 70 funcionários e instituiu volta ao escritório duas vezes por semana. Hoje, segundo ele, 80% do código da Grindr é escrito por inteligência artificial, com produtividade 2,5 vezes maior — número usado para justificar a operação enxuta.

Assinatura de até US$ 350 por mês

O carro-chefe da nova fase é o EDGE, tier premium com IA que promete matches baseados em comportamento e intenção do usuário. Em teste no Canadá, o preço equivaleu a US$ 350–375 mensais em dólar; segundo a CNBC, um piloto em Nova York também chegou a US$ 350, valor que virou piada nas redes por custar mais que sair para namorar de verdade. O tier segue em fase de teste, sem data fechada para chegar aos quase 15 milhões de usuários da plataforma — promessa da empresa para 2027.

Saúde e matchmaking global como próxima fronteira

A Grindr também aposta em serviços de saúde pela divisão Woodwork, com acesso a medicamentos para disfunção erétil, GLP-1s e informações sobre PrEP para 10 milhões de usuários, além de matchmaking com IA que ultrapassa limites geográficos. Arison projeta que, em dez anos, a receita de saúde pode superar a de assinaturas, hoje responsável por 83% do faturamento total da empresa.

Desconto ainda não sumiu

Mesmo com Morgan Stanley, Goldman Sachs e Raymond James elevando recomendações e a ação subindo cerca de 33% em seis meses, a Grindr ainda negocia a 11 vezes o Ebitda projetado para 2027 — 35% abaixo de concorrentes do setor. Falta saber se a assinatura de US$ 350 vinga em escala ou fica como experimento caro demais para pegar tração.

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