
Gripe aviária mata terceira pessoa nos EUA desde que o vírus chegou ao gado
Um morador do condado de Yakima, no estado de Washington, morreu após ser exposto a vacas leiteiras infectadas com H5N1; autoridades de saúde mantêm a avaliação de risco baixo à população.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana: mais de 70 pessoas infectadas nos EUA desde 2024, três mortes
Desde que o vírus da gripe aviária passou a circular em rebanhos leiteiros nos Estados Unidos, em 2024, mais de 70 infecções humanas já foram confirmadas no país. Até o início de novembro de 2026, três delas terminaram em morte — a mais recente, de um morador do condado de Yakima, no estado norte-americano de Washington, que teve contato com gado leiteiro infectado.
O que está confirmado
Segundo autoridades de saúde do condado de Yakima, a pessoa — que já tinha condições de saúde preexistentes e não foi identificada publicamente — foi hospitalizada em estado grave em 31 de outubro de 2026 e morreu no domingo seguinte, 1º de novembro. Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) confirmaram que a infecção foi causada pela cepa H5N1. No condado, 33 rebanhos leiteiros já testaram positivo para o vírus, e ao menos três infecções humanas ali foram associadas à exposição a laticínios contaminados.
Essa é a primeira morte por gripe aviária nos EUA em 2026 e a terceira desde que o vírus passou a infectar bovinos, há quase três anos. As duas mortes anteriores ocorreram em janeiro de 2025, de um idoso na Louisiana infectado por H5N1, e em novembro de 2025, de um morador de Washington infectado por uma variante mais rara, a H5N2. O CDC reafirmou que não há evidência de transmissão de pessoa para pessoa documentada nos Estados Unidos e que, por ora, o risco à população em geral continua sendo classificado como baixo.
O que ainda preocupa cientistas, sem ser motivo de alarme imediato
O padrão que vem se repetindo — vírus circulando entre aves silvestres, aves domésticas e agora também gado leiteiro e outros mamíferos — é acompanhado de perto por virologistas porque, quanto mais hospedeiros diferentes o H5N1 infecta, maior a chance estatística de mutações que facilitem a transmissão entre humanos. Isso é um cenário de vigilância, não uma previsão: não há, até o momento, nenhum sinal confirmado de que o vírus esteja se adaptando para se espalhar de pessoa para pessoa. A recomendação de autoridades sanitárias continua a mesma de surtos anteriores: evitar contato direto com animais doentes ou mortos, usar equipamento de proteção em atividades de manejo de gado e aves, e buscar atendimento médico rapidamente em caso de sintomas respiratórios após exposição a animais de produção.