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MercadoIA18 de ago. de 2026, 16:49

Groq capta US$ 350 milhões e vira 'neocloud' após Nvidia levar seu CEO

A empresa, antes fabricante de chips de IA, agora fornece infraestrutura em nuvem com GPUs da Nvidia e foi avaliada em US$ 3,5 bilhões — metade do pico de US$ 6,9 bilhões atingido em setembro de 2025.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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US$ 350 milhões para virar neocloud

A Groq levantou US$ 350 milhões em uma nova rodada de financiamento a um valuation de US$ 3,5 bilhões — praticamente metade dos US$ 6,9 bilhões que a empresa valia em setembro de 2025. A queda no valuation não é um detalhe menor: ela acontece meses depois de a Nvidia ter fechado um acordo de licenciamento de tecnologia de inferência de IA de US$ 20 bilhões com a Groq e, como parte do negócio, contratado o fundador e CEO Jonathan Ross, o presidente Sunny Madra e parte do time de engenharia principal.

De fabricante de chips a provedor de nuvem

A rodada, liderada pela gestora de Dallas Disruptive — com participação da própria Nvidia —, financia o pivô da Groq: de fabricante de LPUs (Language Processing Units), chips próprios para IA, para operadora de "neocloud", termo que descreve provedores de infraestrutura em nuvem especializados em inferência de IA, isto é, na execução de modelos já treinados em tempo real. Na prática, a Groq deixou de apostar no próprio silício para construir data centers equipados com GPUs da Nvidia.

Alex Davis, presidente e CEO da Disruptive — hoje a força por trás da nova fase da Groq — resume a estratégia: a empresa quer se tornar "a principal nuvem de inference de IA do mundo".

A escala da operação

A Groq já opera 13 data centers na América do Norte, Europa, Oriente Médio e Ásia-Pacífico, atendendo mais de 6 milhões de desenvolvedores, empresas e companhias nativas de IA. A capacidade energética atual, de 54 megawatts, deve saltar para mais de 200 megawatts em 2027. Essa não é a primeira injeção de capital do pivô: em junho de 2026, a empresa já havia captado US$ 650 milhões para dar início à mudança de rumo.

Quem ganha e quem perde

A Nvidia sai fortalecida dos dois lados: recebeu talento-chave da Groq via contratação e agora também é investidora na empresa que passa a comprar suas GPUs em volume para expandir data centers. Já os antigos apostadores da Groq como fabricante de chips viram o valuation cair pela metade em menos de um ano — ainda que a empresa evite o rótulo de "down round", classificando o novo valor como o preço justo para a "versão pós-acordo com a Nvidia" do negócio. A Groq entra assim numa disputa já concorrida: CoreWeave, Lambda e Nebius também correm para construir capacidade de neocloud à base de GPUs Nvidia.

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