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Games22 de ago. de 2026, 07:11Atualizada em 25 de ago. de 2026, 00:51

GTA 6: Take-Two vai à Justiça para identificar hacker via MS e Discord

A dona da Rockstar Games protocolou intimações judiciais em Nova York pedindo dados de contas ligadas ao vazador conhecido como CyberLeek, que tem divulgado vídeos de gameplay do jogo ainda não lançado.

Por Théo Ramos · Repórter de Games

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O que a Take-Two está pedindo na Justiça

Se você acompanha os vazamentos de GTA 6 nos últimos dias, sabe que a coisa escalou rápido. A Take-Two, dona da Rockstar Games, protocolou nesta quinta-feira (20/08) intimações judiciais no Tribunal Distrital do Sul de Nova York contra Microsoft e Discord. O pedido é direto: as duas empresas devem entregar dados que ajudem a identificar quem está por trás da onda de vazamentos assinada como CyberLeek. O prazo para resposta é 4 de setembro.

A lista do que a Take-Two quer é ampla: IDs de contas, e-mails de cadastro, endereços IP de registro e de último acesso, números de telefone, contas vinculadas (como Google e Xbox) e identificadores dos dispositivos usados. No caso da Microsoft, o pedido inclui também qualquer conteúdo relacionado a GTA, Rockstar ou Cyberleek guardado em contas de OneDrive. Já a intimação ao Discord é mais ampla ainda: pede dados de todo mundo que passou pelos servidores usados para espalhar os vazamentos entre junho e agora.

Foto: reprodução/canaltech.com.br

Quem é o tal CyberLeek

Os vídeos começaram a circular no X (o antigo Twitter) e ganharam ainda mais força quando o hacker escreveu o próprio codinome dentro do jogo, a tiros, provando que tem acesso a uma build jogável de GTA 6. Segundo o que já circula sobre o caso, CyberLeek se apresenta como um ativista contrário ao lançamento apenas digital do jogo — e, ao mesmo tempo, promove uma memecoin ligada ao próprio vazamento, o que só reforça a suspeita de que também tem motivação financeira por trás do circo todo.

Por que isso importa pra comunidade gamer

Vale lembrar que não é a primeira vez que a Rockstar passa por isso. Em 2022, o então adolescente Arion Kurtaj, ligado ao grupo Lapsus$, invadiu os sistemas da empresa e vazou cerca de 90 vídeos de uma versão inicial de GTA 6 — um prejuízo que a própria Rockstar avaliou em milhões de dólares na Justiça britânica. Da vez passada, o caso terminou com Kurtaj internado compulsoriamente após ser considerado um risco à segurança pública.

Agora o cenário é outro: a empresa recorre à via civil, pedindo que as plataformas colaborem antes mesmo de qualquer acusação formal. Para quem joga e espera ansiosamente pelo lançamento, o episódio expõe algo incômodo — a segurança dos bastidores de um dos maiores lançamentos da história dos games ainda depende de falhas humanas e brechas que hackers insistem em explorar, e é a comunidade que fica no meio do fogo cruzado, entre vazamentos empolgantes e o temor de spoilers indesejados.


Atualização (24/08, 18:51): ## Atualização: ex-diretor da Rockstar minimiza o estrago

Enquanto a Take-Two segue no jurídico atrás de quem está por trás dos vazamentos, uma voz de dentro da própria Rockstar entrou na conversa para baixar a poeira. Obbe Vermeij, que foi diretor técnico do estúdio e passou por GTA 3, Vice City, San Andreas e GTA 4, disse que os vazamentos atuais são "muito menos consequentes" do que o caso Hot Coffee, o escândalo de conteúdo sexual escondido no código de San Andreas que rendeu prejuízo estimado em US$ 50 milhões à Rockstar.

Segundo Vermeij, boa parte do público simplesmente não vai atrás de fragmentos de vídeo vazado na internet, e o efeito prático sobre vendas ou desenvolvimento tende a ser pequeno — o maior impacto, na visão dele, é sobre a equipe de marketing, que agora precisa repensar estratégia com o jogo já "exposto" antes da hora. Ele reforçou que viveu o Hot Coffee de perto: "Foi um pesadelo para a gestão, mas não nos afetou tanto", segundo ele, o que reforça sua leitura de que a Rockstar vai superar bem esse novo episódio.

A fala chama atenção porque acontece justamente enquanto a Take-Two tenta, na Justiça, identificar via Microsoft e Discord o responsável pelos vazamentos. Ou seja: a empresa trata o caso como sério o suficiente para acionar o judiciário, mas quem já esteve lá dentro do estúdio em outra crise parecida vê o momento como só mais um contratempo — não uma ameaça real ao lançamento de GTA 6.


Atualização (25/08, 00:51): O hacker CyberLeek, autor do vazamento de GTA 6, passou a monetizar também via publicidade dentro dos próprios vídeos vazados. O grupo oferece espaço publicitário e produção de conteúdo personalizado sob encomenda para marcas, mas cobra uma "taxa de contato comercial" de 400 XMR em Monero — cerca de US$ 165 mil na cotação atual — apenas para iniciar a conversa.

O pagamento não garante fechamento de negócio: garante apenas uma resposta em até 24 horas pelo mensageiro criptografado Session, onde valores, prazos e entregas são então negociados de forma privada. Segundo o esquema, o grupo aceita anunciantes de praticamente qualquer setor, com a única ressalva de recusar golpes.

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