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Games06 de nov. de 2026, 07:46

Hacker consegue rodar jogos do Switch 2 no Switch original, com concessões

Usando a brecha aberta pelo jailbreak do Switch 2, o hacker conhecido como touhofagyuri conseguiu portar Mario Kart World e Pokémon Pokopia para o console original — mas com cortes pesados de qualidade.

Por Théo Ramos · Repórter de Games

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A cena que a Nintendo não queria ver

Eu confesso que lendo isso pela primeira vez pensei "não acredito que alguém conseguiu isso". A notícia é a seguinte: um hacker que usa o nome touhofagyuri publicou vídeos mostrando Mario Kart World e Pokémon Pokopia, dois jogos nativos do Switch 2, rodando no Switch original — aquele console de 2017 que, tecnicamente, não tinha força nenhuma pra isso. E não é mentira ou edição: é gameplay real, numa máquina modificada.

Como ele fez (e por que não é mágica)

Foto: reprodução/canaltech.com.br

O trabalho só foi possível depois que a comunidade conseguiu um jailbreak do próprio Switch 2, abrindo caminho pra extrair os arquivos dos jogos direto do hardware novo. A partir daí, veio a parte difícil: adaptar esse conteúdo pra correr em um chip muito mais fraco. Em Mario Kart World, o hacker usou shaders pré-compilados, resolução reduzida e um ajuste forçado de nível de detalhe (LOD) pra aliviar o processamento — mesmo assim, o jogo trava em vários momentos e teve partes do mapa simplesmente removidas pra caber na capacidade do hardware antigo. Já Pokémon Pokopia precisou do Switch original rodando overclockado, com resolução achatada pra 720p e taxa de quadros limitada a 30 FPS.

Isso não é "o Switch 2 de graça"

E aqui que eu quero ser bem direto com quem está lendo torcendo pra isso virar algo baixável: não vai virar. O próprio criador foi claro ao afirmar que, "por razões legais, o código não estará disponível publicamente" e que o propósito do projeto é só demonstrar que é tecnicamente possível, não distribuir uma solução pronta. Ele ainda reforçou a recomendação de comprar as versões oficiais. Ou seja: é uma prova de conceito de nicho técnico, feita por entusiasta, sem repositório público, sem instruções replicáveis fáceis e com resultado visivelmente inferior ao jogo original no Switch 2.

O que isso diz sobre o mercado

Pra comunidade, o feito é fascinante como exercício de engenharia reversa e mostra que a barreira entre gerações de console é mais permeável do que a Nintendo gostaria. Mas também é um alerta à empresa: cada avanço desses tende a acelerar discussões sobre emulação e pirataria do Switch 2, ainda no primeiro ano de vida do console. Minha visão como quem cobre o setor: isso não ameaça a venda do hardware novo no curto prazo — a experiência é claramente pior —, mas é o tipo de prova que, com o tempo e mais gente trabalhando nisso, tende a evoluir rápido.

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