
Hackers anunciam venda de suposta base com 75 milhões de registros da Revolut
Anúncio em fórum criminoso oferece dados de clientes da fintech por cerca de US$ 500; empresa nega invasão e pesquisadores suspeitam de compilação de vazamentos antigos.
Por Redação tech & talk · Curadoria assistida por IA, revisão humana
Um anúncio publicado em 29 de julho em um fórum de crimes cibernéticos colocou à venda o que o autor descreve como uma base de dados com 75 milhões de registros de clientes da Revolut, uma das maiores fintechs do mundo. A empresa nega ter identificado qualquer invasão em seus sistemas, e pesquisadores que analisaram amostras do material levantaram dúvidas sobre a autenticidade do pacote.
O que o vendedor alega
Segundo o Cybernews, que examinou o anúncio, a amostra divulgada inclui nomes, e-mails, telefones, endereços, detalhes parciais de cartões, informações de dispositivos e credenciais em formato hash. O vendedor afirma ainda que o pacote completo conteria digitalizações de documentos de identidade e selfies de verificação — alegação que não foi comprovada por nenhum pesquisador independente.
Um detalhe chamou a atenção dos analistas: o preço. O conjunto estaria sendo oferecido por cerca de US$ 500, valor considerado suspeitamente baixo para uma base do tamanho alegado, observou o eSecurity Planet. Dados financeiros legítimos nessa escala costumam ser negociados no submundo por valores muito superiores, o que reforça a hipótese de material reciclado ou inflado.
Revolut nega invasão
Em nota, a Revolut afirmou não ver sinais de violação de seus sistemas e disse que os identificadores de usuário e de cartão presentes nos registros anunciados não correspondem a identificadores genuínos da empresa. Os pesquisadores do Cybernews não conseguiram verificar a alegação dos 75 milhões de registros e suspeitam que o material possa ser uma compilação de dados de vazamentos anteriores e de outras fontes — tática comum entre golpistas que tentam valorizar bases antigas apresentando-as como um vazamento inédito.
Risco existe mesmo sem invasão
Especialistas alertam que, mesmo que a base não tenha origem em um ataque à fintech, a circulação de dados pessoais agregados já representa perigo concreto. Informações como nome, telefone, endereço e trechos de cartão são suficientes para campanhas de phishing direcionado, golpes de engenharia social por telefone e montagem de perfis de vítimas, apontou a análise do Cybersecurity News.
A recomendação para clientes da Revolut — e de qualquer banco digital — é a de sempre: desconfiar de contatos não solicitados em nome da empresa, jamais informar códigos de verificação, ativar a autenticação em dois fatores e acompanhar movimentações da conta. Casos como este mostram que, no mercado criminoso de dados, a fronteira entre vazamento real e material requentado é cada vez mais difícil de traçar.