
Hackers ficaram meses dentro dos servidores da DreamHost
Invasão começou em agosto e só foi descoberta em 23 de outubro; empresa de hospedagem diz que menos de 10% das contas de e-mail e FTP foram expostas.
Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança
O que aconteceu
A DreamHost, empresa americana de hospedagem de sites fundada em 1996, confirmou que um invasor não autorizado explorou uma vulnerabilidade no File Manager, a ferramenta web que os clientes usam para gerenciar arquivos do site sem precisar de um programa de FTP separado. O acesso começou em agosto de 2026 e só foi detectado na tarde de 23 de outubro — quase três meses de invasão. A empresa tirou o File Manager do ar imediatamente após a descoberta e só divulgou o incidente publicamente dias depois, quando uma instabilidade no serviço chamou atenção para o caso. Um porta-voz não explicou o motivo da demora entre a invasão e a detecção, citando investigação em andamento.
Quem é afetado
Segundo a empresa, foram expostos nomes de usuário e senhas de FTP/SFTP, além de tokens de sessão de webmail — que permitem acesso à caixa de entrada como se fosse o próprio usuário logado, sem precisar da senha. Em casos específicos, o conteúdo de e-mails também foi acessado. A DreamHost diz ter cerca de 400 mil clientes pagantes e afirma que "bem menos de 10%" das contas de e-mail e FTP/SFTP foram afetadas, mas não informou um número exato. Não há indício de acesso a senhas do painel de controle nem a dados de cartão de pagamento, processados por um provedor externo.
O que fazer agora
- Troque a senha do painel de controle por uma única e forte, sem reutilizar em outros serviços;
- Revise as regras de encaminhamento automático (forwarding) configuradas no webmail, que podem ter sido alteradas por quem invadiu a conta;
- Verifique arquivos do site por mudanças não autorizadas;
- Considere alerta de fraude ou congelamento de crédito — a empresa oferece um ano de monitoramento gratuito a quem foi notificado como afetado.
Foto: reprodução/bleepingcomputer.com
A DreamHost também notificou reguladores, incluindo um relatório formal ao procurador-geral da Califórnia, e contratou especialistas externos para investigar a falha, que, segundo a empresa, não tem relação com vulnerabilidades recentes do PHP.