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Segurança09 de set. de 2026, 08:42Atualizada em 10 de set. de 2026, 04:02

Hackers roubam tokens de assinantes do Claude com infostealers

A Anthropic, empresa de IA por trás do assistente Claude e rival da OpenAI, confirmou que criminosos estão usando malware para sequestrar sessões de login e consumir os créditos pagos de usuários. A empresa já suspendeu contas e emitiu reembolsos parciais.

Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança

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O que aconteceu

No mês passado, o consultor de IA britânico Grant De Swardt percebeu algo estranho: o saldo de tokens de sua assinatura Claude Max caiu de 45% para 55% de uso mesmo sem ele estar trabalhando ou com qualquer tarefa em execução. O caso não foi isolado. Outros usuários relataram nos fóruns da comunidade consumo súbito de créditos, cobranças inesperadas e sessões ativas que eles não reconheciam.

A Anthropic, empresa de IA por trás do assistente Claude e rival da OpenAI, confirmou o problema publicamente: identificou um ator malicioso usando malware do tipo infostealer, comum e vendido em fóruns cibercriminosos, para roubar sessões de login diretamente dos computadores das vítimas. Com essas sessões em mãos, os invasores acessavam as contas do Claude e consumiam o uso pago das vítimas, sem precisar de senha nem burlar a autenticação de dois fatores.

Quem é afetado

O golpe mira assinantes do Claude com planos pagos (o caso mais citado envolve um plano Max 20x, com grande volume de créditos disponível). Os infostealers apontados por pesquisadores de segurança — famílias conhecidas como LummaC2, Vidar e StealC — não foram criados especificamente contra o Claude: eles infectam o computador da vítima por outros meios (downloads maliciosos, anexos de e-mail, softwares piratas) e roubam cookies e tokens de sessão salvos no navegador de qualquer serviço logado, incluindo o Claude.

Isso torna o ataque especialmente perigoso: um token de sessão roubado funciona como uma chave já autenticada, permitindo que o invasor entre na conta sem disparar os alertas normais de login suspeito.

A Anthropic afirmou que já suspendeu contas comprometidas, invalidou sessões e tokens ativos e emitiu reembolsos parciais aos afetados. A empresa também reconheceu uma falha própria: hoje não oferece aos usuários um painel detalhado de uso que permita identificar rapidamente consumo anômalo de tokens.

O que fazer agora

  • Rode um antivírus completo no computador antes de qualquer outra ação, para confirmar e remover infecção por infostealer;
  • Troque a senha do Claude e, se possível, encerre todas as sessões ativas nas configurações da conta;
  • Ative a autenticação de dois fatores (2FA) caso ainda não esteja habilitada;
  • Revise sessões e dispositivos conectados à conta e remova o que não reconhecer;
  • Monitore o consumo de tokens regularmente pelo painel de uso, especialmente após períodos de inatividade;
  • Troque senhas de outras contas sensíveis (e-mail, banco, trabalho) acessadas pelo mesmo navegador infectado;
  • Só reative o pagamento na conta depois de confirmar que o malware foi removido;
  • Contate o suporte da Anthropic ([email protected]) se notar atividade suspeita persistente.

Atualização (09/09, 03:52): Atualização (9/9/2026): a Anthropic, empresa por trás do Claude, confirmou que identificou internamente pelo menos parte dos casos de consumo indevido de tokens antes mesmo de os usuários perceberem o problema. Segundo a empresa, ao detectar atividade suspeita ela suspendeu as contas afetadas, invalidou todas as sessões e tokens OAuth do Claude Code armazenados em seus servidores, removeu cartões de pagamento salvos nas contas comprometidas e concedeu reembolsos aos assinantes prejudicados.

Um dos casos documentados é o de Grant De Swardt, consultor de IA do Reino Unido, cuja conta Claude Max passou a consumir tokens de forma anormal em 4 de agosto de 2026, mesmo sem uso ativo. Após a Anthropic suspender a conta e zerar as sessões, ele recebeu um reembolso parcial de £44,49 referente ao restante do período pago (assinatura de US$ 200 mensais).

A Anthropic reforçou que não houve invasão de seus próprios sistemas: a origem do problema está nos computadores dos usuários, infectados por infostealers — programas maliciosos que roubam senhas, cookies e dados de sessão salvos no dispositivo — vindos de softwares piratas, anúncios maliciosos ou downloads infectados, e não do uso do Claude em si.


Atualização (10/09, 04:02): Novos relatos detalham o mecanismo por trás do golpe: os infostealers instalados nos computadores das vítimas roubam cookies e IDs de sessão salvos no navegador, dados que já representam um estado autenticado e por isso permitem contornar até a autenticação de dois fatores. Com essas informações, os criminosos "mintam" (geram) tokens OAuth não autorizados do Claude Code, que passam a ser usados por serviços de terceiros para processar tarefas às custas dos créditos da assinatura da vítima — sem que ela precise ter a senha roubada. Em um dos casos relatados, uma chave de sessão comprometida foi usada para gerar tokens de autorização indevidos, e o consumo de créditos chegou a saltar para 49% da cota mensal em apenas 12 minutos.

Um fator que agrava o problema, segundo usuários afetados, é a ausência de ferramentas da Anthropic que permitam identificar o que exatamente está consumindo os tokens, o que torna praticamente impossível para o assinante perceber o roubo antes que o consumo anormal já tenha ocorrido. A Anthropic afirmou que as contas comprometidas foram desconectadas de todas as sessões ativas, que os tokens roubados foram revogados, cartões salvos foram apagados e reembolsos por cobranças não autorizadas foram aplicados, reforçando que as infecções têm origem externa, como downloads de softwares maliciosos e anúncios fraudulentos, e não no próprio Claude.

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