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Segurança01 de nov. de 2026, 22:01

Hackers roubam US$ 6,3 bi da Binance no maior assalto cripto da história

Empresas de inteligência blockchain apontam, com alta confiança, um grupo ligado à Coreia do Norte; Trump disse que o governo dos EUA 'está analisando' o caso.

Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança

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O que aconteceu

A Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, sofreu o maior roubo de ativos digitais já registrado: US$ 6,3 bilhões (cerca de R$ 34 bilhões) foram retirados de carteiras da exchange em 29 de outubro, em dez blockchains diferentes. Boa parte da movimentação aconteceu em cerca de 20 minutos, a partir das 20h05 UTC. Para comparação, o valor é quase quatro vezes maior que o hack da corretora Bybit, de US$ 1,5 bilhão, até então o maior da história, em 2025.

Quem é afetado

A Binance informou que sua investigação interna ainda não identificou os responsáveis e não confirmou nenhuma autoria. Mas duas empresas especializadas em rastrear transações em blockchain — TRM Labs e Chainalysis — avaliaram, "com alta confiança", que o ataque tem a marca do TraderTraitor, unidade de hackers ligada ao Grupo Lazarus, grupo norte-coreano sancionado pelo Tesouro dos Estados Unidos desde 2019 por operar sob o principal órgão de inteligência do país. A Coreia do Norte nega rotineiramente esse tipo de acusação. Questionado por jornalistas no Salão Oval, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse não saber confirmar a autoria — "We don't know" — mas afirmou que o governo "está analisando" o caso.

Clientes da Binance com fundos nas carteiras afetadas são o grupo de risco mais direto, mas o episódio também afeta a confiança geral no setor cripto, que já soma dois dos maiores roubos da história em menos de dois anos.

O que fazer agora

  • Ative autenticação em duas etapas (2FA) em qualquer conta de corretora, de preferência via aplicativo, não SMS.
  • Evite manter grandes volumes em carteiras de exchange; considere uma carteira fria (cold wallet) para valores que você não movimenta no dia a dia.
  • Acompanhe os canais oficiais da Binance para saber se sua carteira está entre as afetadas — até agora, cerca de US$ 2,7 bilhões já foram congelados pelas equipes de rastreamento.
  • Desconfie de qualquer contato que se apresente como "suporte Binance" oferecendo reembolso: é o tipo de brecha que golpistas aproveitam depois de um ataque grande como esse.

Atualização (31/10, 16:00): A Binance anunciou neste sábado (31) que já cobriu 90% dos cerca de US$ 6,3 bilhões roubados no ataque hacker que atingiu a exchange em 29 de outubro. Dez criptomoedas, incluindo Bitcoin (BTC) e Ether (ETH), já tiveram seus valores totalmente reembolsados; a empresa afirmou que "vai absorver o impacto financeiro dos fundos roubados, não os usuários" e que vai continuar cobrindo ativos até alcançar 100% do valor perdido, incluindo as moedas menos líquidas que ainda faltam e podem demorar mais para ser recompostas.

A invasão durou cerca de 20 minutos e comprometeu o sistema que autoriza transferências de criptomoedas na plataforma. Empresas de segurança como TRM Labs e Chainalysis atribuíram o ataque ao TraderTraitor, grupo de hackers ligado à Coreia do Norte, apontando semelhanças com golpes anteriores como o da Bybit e da KelpDAO. Cerca de US$ 3 bilhões dos valores roubados já foram congelados. FBI e Serviço Secreto dos Estados Unidos investigam o caso em conjunto com a Binance, que suspendeu temporariamente os saques como medida de contenção.


Atualização (31/10, 18:42): O co-CEO da Binance, Richard Teng, afirmou neste sábado (31) que a exchange já repôs 90% dos ativos roubados no ataque de US$ 6,3 bilhões ocorrido na quinta-feira (29), e que a empresa vai cobrir integralmente os 10% restantes. Em publicação na rede social X, Teng disse: "We've now replenished 90% of the stolen assets, and we're committed to covering the remaining 10%. Our users will not bear the financial impact of this incident" — garantindo que os usuários afetados não terão perda financeira pelo incidente.

Segundo a Binance, os ativos mais líquidos já estão com cobertura total, incluindo bitcoin, ether, USDT, BNB, SOL, USDC, XRP, USD1, RLUSD e ZEC. A parcela ainda pendente envolve tokens menos líquidos, fora do grupo dos dez mais negociados, que a exchange está recomprando em mercados públicos e em operações OTC (balcão), em parceria com outros players do setor, até atingir cobertura total. A empresa reservou cerca de US$ 6,34 bilhões para a reposição, usando o fundo SAFU, parte do fundo de seguro de futuros e caixa corporativo, e diz ter contado com a ajuda de parceiros de blockchain que já congelaram cerca de US$ 3 bilhões em ativos roubados.

A Binance também divulgou um novo snapshot de Proof of Reserves e previu a reabertura dos saques (withdrawals) para domingo (1º de novembro), com uma prova criptográfica completa de reservas esperada para 3 de novembro.


Atualização (01/11, 15:54): O FBI confirmou oficialmente que o roubo de aproximadamente R$ 32,2 bilhões em ativos digitais da Binance, ocorrido por volta de 29 de outubro, foi conduzido pelo grupo TraderTraitor, célula de hackers patrocinada pelo governo da Coreia do Norte e associada ao notório Lazarus Group. A agência americana afirmou que o ataque levou cerca de 20 minutos para ser executado e pediu à indústria de criptomoedas que bloqueie transações ligadas aos endereços usados pelo grupo.

Segundo o FBI, os responsáveis já foram identificados convertendo parte das criptomoedas roubadas em Ether (ETH), movimento típico de preparação para lavagem de dinheiro via plataformas de finanças descentralizadas (DeFi) e serviços de exchange. As autoridades monitoram a movimentação dos fundos na tentativa de rastrear e interromper o processo antes que os ativos sejam totalmente dissipados.


Atualização (01/11, 15:54): A Binance retomou os saques de criptomoedas no domingo (1º de novembro), após o congelamento total das operações provocado pelo roubo de R$ 33,8 bilhões (US$ 6,3 bilhões). A liberação está sendo feita em etapas, com diferentes grupos de criptomoedas voltando a ficar disponíveis gradualmente: a primeira fase incluiu 15 ativos, entre eles Bitcoin, Ether, XRP, Dogecoin, BNB e as stablecoins USDT e USDC.

A exchange informou que já cobriu cerca de 95% dos ativos roubados, utilizando reservas do fundo de proteção SAFU, de seguro operacional e de caixa corporativo. A companhia reafirmou que vai assumir o impacto financeiro total do roubo e que essas perdas não serão repassadas aos usuários; os 5% restantes, segundo a empresa, envolvem criptomoedas de menor liquidez que exigem mais tempo para serem obtidas nas quantidades necessárias.

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